28 de junho de 2006

No Mercado do Bom Sucesso

Não foi seguramente por ser «um esquipático alpendre, recurvo e abafado», como o classificou alguém já nosso conhecido, detentor de uma linguagem muito própria, que, há uns anos, a Câmara do Porto avançou com a hipótese de demolição do Mercado do Bom Sucesso.





O motivo seria outro, mas as razões apresentadas foram as de que o edifício, com a mudança dos hábitos de compra da população, se teria transformado num mercado grossista, tendo deixado a sua função inicial de servir os residentes para ser útil aos comerciantes da indústria de restauração da Boavista. Sendo verdade, não foi razão suficiente para que a derriba avançasse.





O mercado foi projectado em 1949 pelos mesmos autores da Igreja das Antas, Fortunato Leal, Cunha Leão e Morais Soares reunidos na empresa ARS, um grupo composto por arquitectos, pintores e escultores, que deixaria inúmeras obras interessantes à cidade. Viria a ser inaugurado em 1952.



Tem como características marcantes a forma hiperbólica e a intensa iluminação natural, proveniente dos lanternins de vidro que fecham a concha que o cobre. Como se pode observar é um importante exemplar de arquitectura modernista, que faz parte do património da cidade.

23 de junho de 2006

De velas ao vento



Amanhã, quando a cidade acordar após a festa da grande noite tripeira, os rabelos ancorados no cais de Gaia içarão as velas para percorrer o Douro entre o Cabedelo e a Ponte Luís I, na amável regata organizada pela Confraria do Vinho do Porto. Não percam. É às 13h00.

21 de junho de 2006

Aliados - a memória presente

Na entrada aqui publicada em Maio de 2005, intitulada Aliados - a memória futura, prometi regressar à avenida depois de concluídas as obras em curso naquele espaço público. É esse percurso do olhar que se faz agora, com o futuro, então anunciado, já presente. As imagens não retratam a totalidade da intervenção. Por opção apenas fotografei os mesmos locais de há um ano, para observar a diferença, apesar de gostar do espaço que os peões ganharam, mais abaixo,na praça. Lá voltaremos.




Na avenida o resultado está à vista.




A luz reflectida pelo anterior pavimento de calcário e basalto, decorado com desenhos que aludiam à actividade comercial do Porto, passou a ser absorvida pelos tristes paralelos de granito que cobrem tudo, passeios, faixas de rodagem e a placa central.




O verde da relva desapareceu...




... juntamente com os tradicionais bancos vermelhos e as pessoas, por não terem onde se sentar.




Às flores foi um ai que lhes deu, e até os pombos se refugiaram a sul - sabe-se lá porquê - na Praça da Liberdade.




Se houvesse um som para definir este espaço seria o de um silvo contínuo.
A Avenida dos Aliados está agora cinzenta, monótona, sem ritmo, homogénea, definitivamente (?) petrificada.