
O céu a nordeste...
Quando chega Agosto basta a temperatura subir um pouco e o inferno aí está, invariavelmente, espelhado no céu. Foi assim no Sábado e no Domingo. O fumo no ar, a atmosfera irrespirável, o cheiro a madeira queimada que penetra em tudo...
Hoje de manhã, porém, o horror foi maior - como se fosse possível. O Sol, de um dia anunciado com céu azul e limpo, nasceu encoberto por um espesso manto de fumo, entre o negro e o amarelado da luz solar, que cobriu a cidade e fez as aves recolherem.

... e a noroeste
O monstro estendia-se por quilómetros, de nascente a poente, e ali esteve durante horas, ameaçador, largando cinzas ao vento. Depois dissipou-se em neblina, pairando ainda por aí neste fim de dia sufocante em que a rotina voltou a instalar-se.
Ontem em Paredes, hoje em Valongo, amanhã... não interessa. Já não acredito. É assim há anos. O festim dantesco continuará a desenrolar-se em Agosto, perante a indiferença e a inconsciência colectiva, até que se instale o deserto e nada mais haja para arder.
O homem devia aprender com a natureza, a respeita-la: há elementos com os quais não se pode brincar, facilitar, são mais fortes que ele. As cheias na Etiopia, os fogos na Península...
ResponderEliminar(lol...mas hoje é 2ª feira!)
Um abraço, th
ontem fui até aguiar e vi o cenário por paredes fora, metia medo mas estava-me distante, hoje acordo de manha com as sirenes em cima de minha casa um cheiro a fumo insuportavel o vento a parecer crescer cada vez mais o fumo a entrar pela minha boca dentro o patio da casa cheio de cinzas que me entravam nos olhos eu a querer correr mas a perder as forças e a asfixiar mulheres a chorar ca fora homens a correr aos berros a levar tudo na frente e o fumo espesso mesmo em frente aos meus olhos. De um momento para o outro a minha freguesia que fica exactamente entre valongo e gondomar apanhou com todas as frentes de fogo possíveis e eu vi a minha antiga escola ameaçada, casas de amigos prestes a arder, as labaredas, mulheres a chorar garagens a arder cinzas a entrar-me nos olhos bocados de madeira incandescentes a caírem-me aos pés o trânsito cortado, não se saber o que se passa daquele lado com aquelas pessoas que sempre conhecemos aflitas em correntes de baldes de água, o triste autocarro da minha adolescência a imagem dele aflito a dar a volta mais cedo no meio dum fumo insuportável e com as labaredas como background. Acreditem, é diferente sentir o cheiro, passar em viagem, ver em imagem, e acordar de manhã entre um histerismo e pânico tal fumo por todo lado o medo de perder a nossa casa o nosso lar o medo que isso aconteça a outros, aqueles que conhecemos por onde passamos.. foi esta a minha mãe nesta cova miserável, s.pedro, um nada perto de tudo no porto. acordo de manhã sem nunca imaginar que tal coisa de repente surgisse. continua a arder embora mais controlado perto das casas. porque já ardeu tudo. o medo agora é que o pouco que arde chegue às antigas minas de carvao do salazar...medo enfim, e o meu gato preto obliviamente a dormir coberto de cinza..
ResponderEliminaro Porto dantes não era assim, pois não?...
ResponderEliminaré terrível. não só no Porto, minha cidade, como em todas as que são visitadas por este fenómeno que de natural tem relativamente pouco...
ResponderEliminarTh,
ResponderEliminarpois... hoje é segunda-feira mas o acontecimento, apesar de mão ser característica deste blogue, sobrepôs-se ao calendário de actualizações semanais às quartas-feiras.
Um abraço.
Caro anónimo de S. Pedro da Cova,
O seu testemunho é aterrador.
Apesar do tom do post, eu não me conformo com a inevitabilidade dos incêndios. Sinto-me é revoltado ? como muitos de nós - por não se conseguir acabar com este trágico carnaval de Agosto, o que gera em mim um sentimento de impotência.
Resta-me deixar-lhe a minha solidariedade.
Ritix,
Não, dantes nem o Porto nem o país eram vítimas, a esta escala, do fogo que, como diz o Bart Simpson, tem causas pouco naturais. A natureza não entra em ignição com facilidade. Como se sabe, os fogos são produto do descuido de uns - poucos - e das intenções criminosas de outros - muitos.
Apelo a toda a gente ir ao meu blog para mandar a sua opinião aos meus dois últimos posts. É importante!
ResponderEliminarAs vossas opiniões contam e eu conto com elas.
Infelizmente é isto que acontece todos os anos! Todos os anos... tem piada, não sei se é de mim mas não me lembro disto quando era pequena... seria demasiado nova pra ligar a essas coisas?!?! Cresci em Trás-Os-Montes e apesar de agora ser também o pão nosso de cada Verão, não tenho ideia de isto acontecer com esta frequência e proporções há digamos 20/25 anos atrás... Parece-me que alguém descobriu a pólvora mas com fumo, com muito fumo!
ResponderEliminarTambém aqui em Matosinhos o céu tem estado encoberto pelo fumo, o cheiro tem sido avassalador e os restos do que ardeu/arde é trazido pelo vento... é triste, é muito triste. Mas mais triste é esta repetição anual como se de uma coisa muito natural se tratasse!
"(...)Para mim o grande crime da humanidade é que ela não sente mais. Ela não sente o outro como irmão ou irmã e por isso pode deixar mais de dois bilhões passando fome e miséria e ver ecossistemas devastados.(...)" Palavras sábias do Leonardo Boff...
ResponderEliminarUm cenário confrangedor, um povo q não mais aprende a respeitar-se para poder respeitar os outros e o mundo q o rodeia.
ResponderEliminarComeço a sentir tristeza pelo país q é meu!
Ñ vejo mais o dia em q as mentalidades mudem, em q se puna quem actua contra o 'património' natural nacional q ñ é mais do q uma parte do enorme 'património natural' q é a Terra.
"Cidade, rumor e vaivém sem paz das ruas,
Ó vida suja, hostil, inutilmente gasta,"[...]
Sophia Mello Breyner, 'Cidade'
saudações
Custa a compreender esta realidade, não há mesmo nada que se possa fazer para ela não acontecer.
ResponderEliminarUm abraço. Augusto
Sim, há algo a fazer. A educação começa em casa!
ResponderEliminar?Judiciária suspeita de fogo posto em 543 incêndios? titula o Jornal de Notícias na primeira página de hoje, dia 9 de Agosto. Urge saber toda a verdade sobre esta catástrofe incendiária. Quais as verdadeiras razões? Há quem aponte a negligência como causa próxima. A avaliar, contudo, pelas suspeições que diariamente se levantam, a realidade parece ser outra bem diferente.
ResponderEliminarSeja como for, Portugal não pode continuar a assistir a este demoníaco bailado das chamas. Impeça-se, de uma vez por todas, esta tragédia colectiva. Os portugueses têm direito a saber o que estimula esta gente incendiária. Haja coragem para punir severamente e sem eufemismos, os verdadeiros responsáveis por esta barbárie; saber se actuam por razões patológicas, se são de facto negligentes, se agem por vandalismo gratuito, ou se são pagos, e a soldo de quem. Ninguém pode ficar indiferente à calamidade pública a que estamos a assistir. Portugal está a ficar muito, muito feio.
Álvaro Mendonça
Caro Carlos
ResponderEliminarO que está a acontecer ao nosso distrito? A economia fala mais alto?
Proponho aqui a criação de uma comissão permanente de cidadãos (não necessariamente oficial)que mantenham a vigilância por longos periodos, dos terrenos ardidos. Seria uma garantia de que não haveria motivações de ordem económica para deflagrar qualquer incêndio.
aterrador, de facto. E este fenomeno não sendo antgo, apenas recentemente atingiu estas proporções. o ano passado vi uma bouça do meu pai arder à minha frente e o comentário que ouvia era "é estranho é não ter ardido antes"...
ResponderEliminarestranho país... moldado por gente muito estranha...
Segundo li, nos ultimos 20 anos ardeu 20% da floresta portuguesa. Isso é mau, mas muito pior é o facto de não haver forma (ou vontade, capacidade) de alterar este estado de coisas.
Ricardo
http://solasnamesa.blogspot.com/
Realmente a partir de JUlho quase não vemos o sol devido ao fumo, será que isto nunca mais acaba?
ResponderEliminarPosso ser visitado em http://recantosdeportugal.blogspot.com
um céu em fogo o porto no céu. um beijo.
ResponderEliminarAs fotos estão óptimas...
ResponderEliminar