
Das bocas dos leões pode jorrar a água,
das suas pestanas pode tombar o rímel,
dos seus dedos anéis sobre os cinzeiros,
da minha boca a língua
a comer-lhe o baton,
dos meus braços as mãos, circunscrevendo-a.
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Estamos encerrados numa praça
cercada de armazéns, igrejas, austeros edifícios,
comércios de remotíssimos parentes
de trigo enchendo os navios para Cuba,
arruinando-se.
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Sucede isto no Porto,
uma cidade onde os destinos pesam muito
e as quimeras de bronze só mitigam
a sede secular de eternas pombas.
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Nunca, nesse lugar, as bocas se encontraram.
António Rebordão Navarro
"ai ai ai ai, Ciências eu te adoro!
ResponderEliminarcontigo estarei, enquanto estudar.
quando te deixar eu choro.
"ai ai ai ai, Sofrem corações!
São lágrimas, mágoas e tantas saudades,
São as águas dos Leões.
"
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