21 de junho de 2006

Aliados - a memória presente

Na entrada aqui publicada em Maio de 2005, intitulada Aliados - a memória futura, prometi regressar à avenida depois de concluídas as obras em curso naquele espaço público. É esse percurso do olhar que se faz agora, com o futuro, então anunciado, já presente. As imagens não retratam a totalidade da intervenção. Por opção apenas fotografei os mesmos locais de há um ano, para observar a diferença, apesar de gostar do espaço que os peões ganharam, mais abaixo,na praça. Lá voltaremos.




Na avenida o resultado está à vista.




A luz reflectida pelo anterior pavimento de calcário e basalto, decorado com desenhos que aludiam à actividade comercial do Porto, passou a ser absorvida pelos tristes paralelos de granito que cobrem tudo, passeios, faixas de rodagem e a placa central.




O verde da relva desapareceu...




... juntamente com os tradicionais bancos vermelhos e as pessoas, por não terem onde se sentar.




Às flores foi um ai que lhes deu, e até os pombos se refugiaram a sul - sabe-se lá porquê - na Praça da Liberdade.




Se houvesse um som para definir este espaço seria o de um silvo contínuo.
A Avenida dos Aliados está agora cinzenta, monótona, sem ritmo, homogénea, definitivamente (?) petrificada.

109 comentários:

teodias disse...

admirável maneira de mostrar as contradições

o ontem e o amanhã

simples, sem discursos e com fotos admiráveis

scelta disse...

De facto é triste deixar o Porto tornar-se cada vez mais sombrio... antes era o azul que não podia enfrentar o oponente edifício da Câmara, agora foi o verde, o roxo, o rosa,etc...

Luís Bonifácio disse...

É mau demais para ser verdade!

LFV disse...

As imagens dispensam todas as palavras! Espanta que arquitectos premiados e emblemáticos consigam, por insondáveis interesses, ficar aquém da imaginação rasteira dos humildes calceteiro e jardineiro. Os dois juntos teriam feito mais e melhor do que os arquitectos!

Manuela D.L.Ramos disse...

A propósito do comentário de LFV, transcrevo de Calcada* portuguesa
«Tenho um amigo, o Zé Vieira, que é calceteiro, um artista de mão cheia, há uns anos já largos foi para a Alemanha fazer uma calçada na casa de um emigrante de lá. Passaram os meses e o Zé não vinha da Alemanha, no Agosto desse ano vi o Zé e perguntei-lhe o que andava a fazer. Ele respondeu com as lágrimas nos olhos,
- Sabes Chico! Aqui na minha terra, sou o Zé calceteiro, trabalhjo por 80 contos à esturra do Sol, na Alemanha chamam-me artista, ganho 10 vezes mais e com direito a chapéu de Sol, mas custa-me ir para lá, eu gosto é daqui.
O Zé está na Alemanha há cerca de 15 anos, casou, tem 3 filhos, ja fez exposições de calçada portuguesa, tem obra feita em Berlim, Munique Colónia e muito outros sítios, é um mestre, criou uma escola própria par ensinar a sua arte. Cá seria sempre o Zé Calceteiro a beber Minis na tasca do Ramiro.»

Quantos às fotos... como é o provérbio? Uma imagem vale...
(PENA, PENA não ter havido mais imagens antes, quando estava a ocorrer a destruição! Desculpe insistir caro Carlos, palavra, desculpe mas é superior às minhas forças.)
Um muito bom S. João e viva o nosso Porto.

Filipa disse...

A alegria das cores e dos jardins foi substituída pela tristeza sombria do cinzento e da pedra. O convívio entre populares, ou o simples cruzar de olhares enquanto se descansava num desses belos bancos de jardim, desapareceram em silêncio... e houve quem não desse por nada!!!!

MD disse...

Mas então não se está mesmo a ver que aquelas senhora vão participar em muitos eventos culturais e levar os netinhos a brincar no chão. Não se está mesmo a ver que a Venida lhes foi "devolvida"? Olha só «o espaço que os peões ganharam na praça.» ( Que conseito admirável, que desenho! Que belo, que livre, que largo.) E o que perderam?

MBSilva disse...

É nestas alturas que a frase "uma imagem vale por mil palavras" tem razão de ser!

O problema aqui é que não é só uma imagem... É uma praça cheia delas!
:(

Enfim...

Karl Macx disse...

Aquilo que mais me dói no coração é ter de passar por ela todos os dias e todos os dias sentir o aperto de quem perdeu parte da sua vida.
É a nossa sina, termos de viver com os governantes que elegemos...

augustoM disse...

Tens toda a razão, já não é Av. dos Aliados mas a dos empedrados.
Será para poupar no jardineiro?
Mais um crime impune do autoritarísmo.
Um abraço. Augusto

Joaquim Baptista disse...

É uma tristeza, deve ser mal pagadisso. Na cidade de Castelo Branco estão a fazer o mesmo em larga escala. Não se pode ser jardim. Será por causa da falta da àgua? Será esta uma explicação? Não, é claro, é tudo a marchar no sentido de racionalizar os custos à custa do cidadão e do seu bem estar. ESTE PAÍS É UMA TRISTEZA.

Anónimo disse...

antes mais, bom regresso que já fazia falta;
quanto ao post, é o verde a virar cinzento, muitas vezes por causa do betão, um pouco por todo o lado!!!

Effe disse...

è la paura dell'uomo per la foresta e i suoi misteri
Bom regresso

Maja disse...

O resultado das obras é um horror.

Tenho saudades daquela praza que vi no ano 1996, quando ao visitar o Porto, passei por ela pela primeira vez...

Só 10 anos depois esta morta, sem vida.

Triste.

Maja, Eslovénia

Anónimo disse...

Uma obra espetacular esta na av dos aliados. Na minha opinião fazem falta uns bancos de pedra compacta que se enquadrem no espaço. Mas acho que mestre siza ainda vai a tempo.
A av ganhou espaço, muito espaço.
Ir-se-á notar as vantagens sempre que lá se juntarem as multidões que o porto gosta de juntar neste espaço. Agora o porto tem mais espaço para as pessoas, muitas.
Por outro lado compreendo as pessoas que gostam de tudo sem mudar, típica resistência à mudança, espírito atrofiado português.
Em conclusão, depois de lá serem postos mais uns blocos de pedra para o povo sentar os traseiros, tudo ficará excelente. nessa altura ficará perfeito.

Pé de Salsa disse...

Agora dá para a Câmara Municipal poupar alguns euros no que toca a manutenção de espaços verdes (porque desapareceram...infelizmente).

Sei que cada cabeça...cada sentença mas, penso que era possível ter modernizado toda aquela zona com alguns jardins e retirando o trânsito automóvel.

Seria uma verdadeira praça para as pessoas. Agora, quando chove... provoca charcos em todo o lado e, quando faz sol, o ambiente torna-se insuportável pois aquece o solo através da reflexão.

Sinto também muito a falta da calçada portuguesa nos passeios. Enfim, acho que o centro da cidade do Porto está menos bonito.

Gostei muito de recordar o "antes" que considero mais belo do que o "agora".

Parabéns ao autor do blog.

Anónimo disse...

Os canteiros eram muito "provincianos".
Acho que assim está mais Europa.

Drots disse...

bela apresentacao!!!
Blog fantastico

cristina disse...

Se chorar, se mostrar a tristeza, bastasse!
Parabens aos senhores arquitectos, acabarm com as cores, acabaram com a vida que se respirava naqueles pequenos jardins!
Este cinzento é deprimente! Será que algum dia estes senhores decobrirão a importancia das cores na nossa vida.
A nossa vida não pode estar em branco, e de negra já tem tons que chegue... será que algum dia descobrirão o azul do oceano, o amarelo das flores e da alegria, o vermelho da vida... precisamos de cor nas nossas vidas, que já têm muito de cinzento.

Carlos Romao disse...

Manuela D L Ramos
Bom S. João para si e... viva o nosso Porto :)

Caro anónimo (de seis comentários acima)
Se enquadra a adversidade, à reformulação da Avenida dos Aliados, patente nas fotografias, num caso típico de resistência à mudança e num tal «espírito atrofiado português» - que eu ignoro o que seja - não percebeu nada do que expus. Veja de novo as fotos. É a da supressão da alegria de viver que elas tratam.
Quanto aos bancos a que alude fazem-me lembrar pedras tumulares. Sabia que «o povo» quando se senta nessas pedras usa jornais para isolar «os traseiros»? Imagine lá porquê...! Porque arrefecem o rabo!

TAF disse...

Esse problema das pedras, caro Carlos, prova que frequentemente os projectistas não são, nem pensam vir a ser, utilizadores dos espaços que desenham...
Veja-se a qualidade de _utilização_ de uma (boa) obra do Siza como é a Casa de Chá em Leça, e compare-se com a triste sorte da Avenida agora. Imagino o Siza a fumar um cigarro na Casa de Chá, a olhar para o mar e a pensar no projecto seguinte. Mas não imagino o Siza nem o Souto Moura a passear a pé pelos Aliados, sentando-se descansadamente numa sombra, a ler um jornal ou a dar dois dedos de conversa com Rui Rio... Por isso nem sequer percebem as objecções que os _utilizadores_ do espaço colocam. Não sentem o rabiote frio... ;-)

INDIGENTE ANDRAJOSO disse...

que dizer?

CARMO disse...

já tinha essa opinião depois de por lá ter passado, mas agora que posso comparar passado e presente com as tuas sempre magníficas fotografias, fico ainda mais triste... cinzento, falta de cor, falta de vida.
VERGONHOSO!

azuki disse...

sente-se uma desolação imensa ao ver o que fizeram dos Aliados

Anónimo disse...

Mais que cinzento, está 'sizento'. aquele espaço.
A quem apelida o desejo genuíno das pessoas gostarem do verde, o meu 'tenho pena'; a quem acha que verde é provinciano, aconselho a dar uma volta pela Europa (que não é só Paris) e a ver os bons espaços públicos que por lá se fazem. E já agora, que se deixe de deslumbramentos.

É uma dor imensa que sinto ao ver os novos Aliados, e aqueles saiotes de volta das estátuas, intenções mal conseguidas de as enquadrar no espaço...

É triste, muito triste. Espero viver para ver o dia em que um arquitecto e um autarca com 'eles' no sítio tenham a coragem de repôr a verdade da Avenida e da Praça.

Paulo Almeida disse...

Pois é... o mal já está feito.
E que mal.
Olhando para aquele piso, em cada paralelipipedo, eu vejo um voto enterrado no escrotíneo deste presidente de camara.
Os Aliados já não são avenida, mas uma praça rectangular sem identidade, sem assunto, sem imaginação.
As flores deram lugar à pedra cinzenta e, não tarda nada, darão lugar aos automómeis, parqueados como plantas daninhas.

Obrigado TAF por me apresentares este nosso amigo "Cidade Surpreendente". Concerteza me compreenderás se te disser que esta surpresa foi muito desagradável.

M A R I A N E disse...

Suas imagens são poesia. Adoro conhecer Portugal pelos seus olhos! Espero anciosamente o dia de desfrutar pessoalmente desses ares!! Grande abraço. =0)

Henrique disse...

O Cinzento tomou conta da "Baixa".É pena. A cidade é de todos, não de alguns iluminados.(desculpe-me dizer isto aqui, mas é uma revolta que me dá a ver isto a piorar)

Karl Macx disse...

Um anónimo postou: "Ir-se-á notar as vantagens sempre que lá se juntarem as multidões que o porto gosta de juntar neste espaço. Agora o porto tem mais espaço para as pessoas, muitas." - De certeza que não deve ser para as comemorações desportivas de um dos clubes mais representativos de Portugal... Até porque o S. João é uma vez por ano...
Ainda postou: "Por outro lado compreendo as pessoas que gostam de tudo sem mudar, típica resistência à mudança, espírito atrofiado português." - Meu caro amigo, a mudar, mude-se para melhor. O Porto, por natureza granítica do destino, é uma urbe cinzenta. Londres e Praga também o são, mas não conheço muitas histórias de como os respectivos autarcas removeram por completo a identidade das suas gentes, de tão entranhada que estava nas suas ruas. É o que acontece quando os autarcas não se identificam com as cidades que governam. Alguém se lembra da fonte na Praça D. João I? É certo que, agora que não existe, nos dias de maior calor -e desde que jogue a selecção nacional - podemos ver um ecrã gigante ou mesmo um palco para actuações ou comícios. Nos restantes, o que lá vemos é o vazio da cidade. O que falta fazer a Rui Rio? Talvez colocar paralelos na Praça de Velasques ou no Campo 24 de Agosto. E que tal no Parque da Cidade ou na Marechal Gomes da Costa?
Felizmente, a tristeza que Rui Rio me provoca com estas atitudes prepotentes e que vão contra os desejos dos cidadãos, vai ser compensada com a alegria que vou ter de o ver abandonar o cargo sem deixar saudades...
Quanto a si, meu amigo anónimo, respeito a sua opinião, mas deixe-me desde já escrever que seria de bom tom identificar-se, porque ou se defendem os princípios em que se acreditam, ou então não passam de ideias ao vagar do vento...

Carlos Romao disse...

Caro TAF,
concordo consigo. A remodelação da Avenida dos Aliados lembra-me um antigo e confortável restaurante que virou snack bar, onde agora se come de pé sem permanecer.

Ana Abreu disse...

Está triste, muito triste. Roubaram um pulmão à cidade do Porto, e eles vão sendo cada vez menos...
A única explicação que eu tenho é que, apesar de adorar muitas obras do Siza, o sr. deve estar a ficar senil... e mais senil está quem o deixa divagar desta forma.
Estão a roubar a cidade aos portuenses... é isso que me sinto ao passar por aquele espaço: roubada. E nem um "ai" pudemos dar. Durante as obras, aquela avenida foi um grande suspiro final, e agora... morreu.
A obra foi feita, o resultado está à vista... "coma quem quiser", o que é certo é que para trás não anda.
Espero que os alemães e os outros povos continuem a dar valor aos nossos calceteiros... pois qualquer dia para vermos pedaços de Portugal temos que viajar por esse mundo fora, porque aqui mesmo, ele vai desaparecendo.

Teófilo M. disse...

De facto, é surpreendente a contradição entre o antigo e o novo, até porque o fotógrafo não mente, apenas ilustra o olhar.

Obrigado Romão, por esta tua lição de sabedoria aos que ainda hoje clamam ter dúvidas sobre o malefício da intervenção.

Um xi...

MRR disse...

Sou 'emigrante' no Porto. Estou aqui há cerca de 12 anos. Aprendi a gostar da cidade e a compreendê-la e tive um choque quando removidos os taipais e refeita a circulação vi o resultado que já temia! Tiraram a alma aos aliados, que hoje são uma plataforma cinzenta, monótona. Percebo a polémica em torno do projecto do 'Prado', embora não saiba quase nada sobre ele! As obras dos génios nem sempre são geniais...

filinto disse...

o meu optimismo em relação às trasnformações urbanas, e independentemente de ser, em tese, contra a nova avenida, está um excelente post.

http://divagandovida.blogs.sapo.pt disse...

realmente ficou demasiado sombrio , tinha outra alma. . .
Bom S. João

blue kite disse...

Obrigada pelas fotos!!! Ainda não fui ao Porto depois da conclusão das obras e estava com uma enorme curiosidade para ver como ficariam. Pelo que vejo acabaram com a cor viva (dos bancos e das flores, da relva por exemplo), a comodidado (a funcionalidade dos bancos) e ficaram-se pelo cinzento, em jeito de uniforme miltar. O Porto merecia melhor.

Pedro M. Rocha disse...

Parece-me incrivel, continuo a não querer acreditar que a obra foi feita.
Do verde ao Cinzento, da Vida para a Morte. Ah!!! Os peões ganharam mais espaço para passeios, mas isso também seria possivel com zonas verdes.
Ah! Os niveis de ruido, já alguém os mediu e comparou com os anteriores??

kuskas disse...

Passei lá ontem, estava sempre a ver quando era atropelada por um esquiador...gêlo!
Não se trata de não querer ir em frente, trata-se de uma questão estética, de não aceitar o feio pelo belo...
Um abraço a quem soube ver a diferença, th

Anónimo disse...

chorem chorem...
choremos, choremos.
e de quem é a culpa do que fizeram?
quem deixou que isto se fizesse?
tripeiro inconformado

S. disse...

Ok, trocidem-me se quiserem, mas...
EU GOSTO!
Só faltam uns banquinhos, fora isso, está muito bem.
E mais não digo porque na hora do enterro nunca é bom lembrar as falhas do falecido.

Quando ao post, é um bocadinho tendencioso. As imagens têm o poder que têm e com a legenda correcta podem mover o mundo. Pior, só teria sido se as fotos tivessem sido tiradas em dia de chuva e com um carro funerário em fundo.
Como o "mal" está feito, não teria sido completamente descabido colocar umas fotos tiradas em dia de sol, ou à noite, com a iluminação nocturna, para realçar a beleza de, de facto, a obra tem.
Com certeza que as opiniões de quem nem sequer cá vive,nunca cá veio, ou nem se lembrava de passar na avenida, seriam diferentes.

Nuno S. disse...

E a piscina, meus senhores? Mas já viram a piscina? Sim, os aliados têm, agora, uma piscina com vista priviligiada para a Câmara Municipal!!!! Minha nossa...

Anónimo disse...

Para S.
Porquê em dia de sol? as imagens de como era dantes também foram tiradas num dia cinzento! (pelo menos a mim parece-me).
tripeiro inconformado

everything in its right place disse...

está uma bela merda!

por estas e por outras é que eu gosto cada vez menos da cidade do Porto!

e já gostei muito... agora chamo-lhe, sem carinho nenhum, "O Buraco", pois vida também é coisa que cada vez menos há por lá...

Anónimo disse...

Chama-lhe "sem carinho" ... e comenta aqui sem carinho para não dizer outra coisa.
Absolutamente dispensável!

GR disse...

Se ao menos eu entendesse a razão da mutilação desta Avenida! É para mim difícil dizer qual o local mais belo do Porto. A Cidade é única, com cantos e recantos tão singulares, repletos de história! Este é o melhor blog, retrata a ?alma? do Porto. A Av. é a ?sala de estar?. Hoje despida, triste, tão pouco acolhedora, não só para quem a visita como quem lá mora. Desaparecem as árvores, as flores, a calçada, o espírito daquela Avenida!
Não sei se foi estilo arquitectónico ou vingança de tanta beleza que o Porto tinha, agora difícil encontrar!
Pobre Porto!

Parabéns pelo magnífico e necessário blog!

GR

miosotis disse...

Já aqui deixei um comentário de apreço pelo magnífico espaço!

É de grande gosto estético... mas ao mm tempo mt interventivo nesse teu jeito sereno de "postar" mais intenções do q palavras. Essas, deixa-las aos q te visitam! E está certo! É uma outra perspectiva!!

Ñ vou comentar... a realidade é tão evidente e penosa!
Apenas fiquei aqui a juntar os fragmentos das memórias neste sorver encantatório de imagens q morreram na paisagem do granito!

saudações

Carlos Romao disse...

Cara S.
Não se martirize por gostar do novo rosto dos Aliados, ninguém a trucidará.
Quanto às fotos: procurei condições idênticas às das fotografias que publiquei em Maio de 2005 e que foram tiradas em Março desse ano. O céu estava nublado e a hora solar era aproximadamente a mesma. Se reparar até os enquadramentos são idênticos, mas isso é apenas uma questão de rigor da minha parte. Não é por aí que o post é tendencioso, mas antes pela visão parcial que apresenta. As fotos mostram aquilo que eu mais lamento que tenha desaparecido da Avenida. De resto eu não faço jornalismo e este blogue, como sabe, é pessoal.
A questão dos Aliados não se esgota aqui. A seu tempo publicarei mais fotografias com outras condições de luz.
Saudações.

O Pilha Blogs disse...

É uma vergonha...!
Pouco a pouco, mas com um ritmo acelarado, os espaços mais bonitos desta cidade estão a ser substituidos por o, tão na moda, paralelo, será moda ou negócio? ouvi dizer anda gente a enriquecer com com isto do paralelo e, claro está, que não faltam luvinhas, só pode ser isso, ou então entraram todos para uma senilidade colectiva. Que raio de gente temos nós a mandar na cidade.? Eu não me conformo com estas mudanças. Eu sei que as opiniões são livres, mas algumas delas, e que me desculpe a que servir a carapuça, só demontram ou cegueira ou burrice...!

rps disse...

Venho tarde, para confessar que gostava da velha Avenida e que gosto da nova.
A mudança era inevitável, a solução é muito boa. Poderia ser outra, igualmente boa. Mas é esta. Eu gosto.

Carlos Romao disse...

RPS,
blogamigos como antes :)

Anónimo disse...

Não, não posso estar a ver bem... estou com alucinações... que se passa comigo... estou doente... estou com febre, ... será um delírio ...terei voltado a Maio de 68 ...ou a Woodstok em Agosto de 69... não, já não como cogumelos há muito tempo...! FDP, PQOP!!!! ...já não há retorno, e a triste realidade é que daqui a alguns (poucos) anos (meses) já ninguém se lembra!!! e esta coisa vai ficar, cada vez mais triste, mais acabrunhada e deserta... mas (há sempre um mas!!!): alguém ganhou - uns sentiram o ego crescer (provavelmente de tão castrados já não lhes cresce mais nada a não ser o "ego", ...outros terão sentido a conta bancária crescer, ...outros ainda, para se sentirem na crista da onda fazem a "devida vénia" aos "mestres" da pedra (ou do calhau?) sem perceberem nem sentirem NADA... Para terminar, senão ainda vou "descambar", gostaria de saber de que mal padecerão certos arquitectos da "nossa praça", que ganharam tal aversão ao verde, às árvores, às flores???

Álvaro Jorge,
tripeiro de gema, auto-exilado no Alto Minho

Lilith disse...

Poucas pessoas conseguem compreender a minha tristeza imensa por ver que afinal o que fizeram cá no Porto (e querem continuar a fazer!!) não foi renovar a cidade mas sim transformá-la naquilo que acham urbano, moderno e politicamente correcto...
Ou seja... tiraram-lhe a essência, a alma e tudo aquilo que fazia dela o PORTO e não LISBOA.
Será que não conseguem compreender que cada cidade, cada local, tem o seu povo, a sua alma, o seu charme, o seu carisma! Não precisamos que nos tranformem numa grande cidade com prestígio internacional (ou tão somente nacional)!!! Queremos que nos deixem ser o que somos!

Peço desculpa por esta intervenção um bocado agressiva (?) :) Só queria expressar o meu contentamento por alguém ter a mesma opinião que eu e a ter traduzido tão bem... Porque uma imagem vale mais que mil palavras...

Termino dizendo que este é um blog realmente interessante! Um dos poucos que leio assiduamente!

Parabéns pelo bom trabalho,

Sofia.

Desterrado disse...

Sinceramente, penso que tendo em conta o resultado desta renovação da praça, o teu post deveria ter sido publicado no Outra Face da Cidade Surpreendente.

Mesmo que avancem com a ideia de criarem zonas de esplanadas na avenida, será sempre estranho ver aquele espaço descaracterizado.

Saudações de um Tripeiro desterrado em Lisboa

Porto Fiel disse...

É de facto triste.... Só um comentário: um cancro, um cancro é o que o presidente da câmara municipal do Porto é!!! Ele e o seu braço direito Rui Quelhas... E não estou aqui a falar de cores partidárias, porque essas aqui são secundárias.... O comportamento deste sr. é exactamente igual a um cancro... O Porto está perto da morte, muito perto mesmo... Talvez na terra que ele realmente ama e vive (Viana do Castelo) não se passe o mesmo....

Cumprimentos e saudações Tripeiras

JC disse...

Caro Carlos,
Sera possivel que volte rapidamente 'a Av. Aliados para mostrar, nao atraves dos angulos da "memoria futura", o que e' esta nova avenida? Eu estou longe do Porto e socorro-me deste blog para ir revendo a "minha" cidade. Confio em si para a fotografar com dignidade e sem tentar usar a fotografia para provar a oposicao 'a obra. E' que eu ainda nao consegui encontrar um site que me mostre a totalidade da nova avenida... so' consigo encontrar textos e mais textos de oposicao e julgava q por esta altura ja haveria imagens para ilustrar tudo o q se diz.

obrigado.

Pedro disse...

Sr. Rigor Rui Financeiro Rio não tem que fazer ao dinheiro!?

Anónimo disse...

Francamente, gosto muito mais da actual avenida do que da antiga. Está mais livre, mais arejada, parece muito maior.
Lamento não alinhar no choradinho.
E assino,
Rui Esteves

O Pilha Blogs disse...

Gostos são gostos.
Há quem prefira uma parede crua, nua, despida e cinzenta a uma outra decorada por bonitos quadros alegres e coloridos...
Inflizmente nem toda a gente tem gosto pelo belo, pela cor, pelos aromas e fragâncias, pelos pássaros a voar baixo ou passear aos nosso pés nem pelo agradavel e bem estar de um banco de de jardim...

RC disse...

A nova Avenida está triste! Um Abraço para o Carlos Romão

Carlos Romao disse...

Caro JC
Rapidamente não será, mas voltarei à Avenida dos Aliados para a fotografar, se mo permite, com a mesma dignidade do presente post, no entanto com outra abordagem, a do grande espaço que, felizmente, o conjunto monumental composto pelas duas praças e pela Avenida, não perdeu.

RC,
Um abraço para si também.

António Santos disse...

Os arquitectos estão condicionados por quem lhes encomenda o projecto, isto é, pelo dono da obra, por quem a paga que, neste caso, foi o Metro do Porto. Ignoro se o Metro deu ou não total liberdade ao projectista, mas presumo que sim.

Como o Metro é uma entidade exterior à cidade a obra precisava do aval da Câmara do Porto. É aqui que entra o verdadeiro responsável pelo que se fez nos Aliados, Rui Rio, que sem gastar um tostão aproveitou para se colar à obra feita e tirar daí os respectivos dividendos. Se o saldo eleitoral para o contabilista da Câmara é positivo ou negativo, o tempo o dirá.

RR já tinha usado o mesmo esquema para satisfazer um capricho pessoal com dinheiros públicos, a corrida de carros velhos e poluentes na Avenida da Boavista. Para tal derrubou centenas de árvores, quase eliminou passeios, danificou o viaduto do parque da cidade e asfaltou 1/3, sim, leram bem, está lá, 1/3 da Praça Cidade de S. Salvador. Aqui no entanto saiu-lhe o tiro pela culatra, a corrida das velharias foi um fiasco. Além de terem aparecido apenas 10 por cento dos 200 000 espectadores que o contabilista esperava, o Metro, porque o governo mudou, não lhe pagou a porcaria da obra.

Não dêem tiros para o ar. Creio que teria sido possível, se tivessem condicionado o projectista, outra solução, menos monótona, para a Avenida dos Aliados. No entanto está lá o que a cidade merece. Tanto merece aquilo, como não desmerece a nulidade sorridente do presidente da Câmara em que votou.

Aguentem e fiquem bem.

António Santos

Carlos Romao disse...

António Santos,
quem fala assim... não é gago!

Anónimo disse...

Há cerca de 10 anos, de regresso de um fabuloso inter-rail em Itália, em vez de, simplesmente ir de Campanhã para casa, insisti em apanhar o comboio para S. Bento. Dizem que quem já viu Itália não precisa de ver mais nada... Queria comparar! Concluí que os Aliados não devem nada a nenhuma cidade deste mundo!
Há 4 anos que vivo na capital e ainda não vi os Aliados desde as obras. Para ser sincero, assustei-me um pouco com as fotografias que vi. Acho normal: as mudanças costumam chocar. Só o tempo avalia bem. Tenho de ver os Aliados com os meus próprios olhos!

Bernardo Moura disse...

É triste o estado que a Av. dos Aliados ficou.
Não sei se sabe mas as suas fotos andam a correr pela "net" a uma velocidade doida, alguém as copiou e colocou a circular, mas com um texto de total reprovação sobre a obra feita.

Anónimo disse...

tens razão desoladora esta praça
num habia nexxesssidade
e depois gostavamos todos de saber onde puseram a ESTATUA DO DESTERRADO??
dassse
ainda por cima...a coisa mais gira da praça.,,,,,
e o rio diz k vai por floreiras...i hope so,,,senão isto é 1 desolação

Carlos Romao disse...

Bernardo Moura,
não sabia... e nada posso fazer. A apropriação de imagens, e textos também, é moeda corrente na net.

SanFranciscoGirl disse...

Encontro-me a viver em Sao Francisco US mas nunca esqueco a minha cidade, o meu Porto. Quando sai de Portugal a avenida ainda estava em obras. Esta manha recebi fotos do resultado da dita remodelacao, estou desolada, de coracao partido. A cidade que tanto amo esta a transformar-se num deserto de pedra. Tenho agora receio de quando voltar ver a cidade vestida de cinzento e desprovida da identidade cultural que tanto a distingue. O nosso Presidente da Camara esta a precisar de uma "wake up call", alguem que o chame a razao por favor! Nao suporto ver tratar a nossa cidade como uma caixinha de legos privada. Que facam o quizerem no quintal deles mas a cidade e de todos e todos merecem ser ouvidos.

JC disse...

Caro Carlos,
Nao sei se me percebeu mal ou entao eu percebi mal o seu comentario de resposta (q confusao!) mas nao quis criticar uma falta de dignidade do presente post. Percebi o exercicio de comparacao usando os mesmos angulos do anterior "para memoria futura" e gosto dele. Apenas sinto falta ainda de conseguir ver exactamente aquilo que esta ja "encomendado" por si para um post futuro: o grande espaco das duas pracas e os outros pequenos angulos (por exemplo, da fonte? dos caminhos para automoveis?) porque sobre isto ainda nao consegui ver nada.
O site da camara e' uma lastima e ate escolheram inaugurar a praca de noite para talvez esconder o embaraco do resultado ou evitar a populacao.

Noutros blogs so aparece texto alusivo ao Sizentismo ou fotografias inquinadas e de pessima qualidade.

Ca espero entao para que tenha essa oportunidade! Bom trabalho!

Bernardo Moura disse...

Sim, é verdade.
No caso expecifico andam a circular na net mas com o intuito de demonstrar que esta obra foi muito má. Ou seja, o seu trabalho é de certa forma um alerta para o que foi feito.Bastante util para que as pessoas tenham noção das barbaridades que são feitas a nivél arquitectonico.

i. disse...

acho que a intenção é levar as pessoas à melanclolia e ao desespero... só pode! penso que a intenção dos responsáveis da aprovação e respectiva execução deste projecto, de tornar esta avenida um tanto ou mais cinzenta, é fazer com que as pessoas nem pensem muitas vezes quando esse sentimento de «felicidade extrema» as invadir: toca descer a avenida dos aliados a baixo, em direcção à ribeira,e acabar logo com o sofrimento! para quê estar rodeado por vegetação quando o betão é mais afável? para quê existirem zonas verdes e de descanso, como são o caso dos velhos bancos de jardim,... pergunto, para quê? quando o cizento é a cor da alegria, da esperança, da felicidade!... não há realmente nada a contestar!
ai como é bom que os dias de quem mora no porto sejam agora pautados por uma mudança de tons neutros... de tons tão cinzentos quanto estes! deve de facto ser encantador usufruir de um espaço tão harmonioso e receptivo à contemplação!
agora talvez faça algum sentido ter as estátuas do escultor do desterrado numa avenida como esta! o desassossego deve de ser diminuto!

ALIADOS disse...

Leio com um certo distanciamento o que aqui comentam...(É que foram muitos meses a lidar DIARIAMENTE com este assunto)

Saliento o facto de um dos aspectos fundamentais para quem esteve empenhado nesta luta -a falta de diálogo e de abertura, a postura autocrática e arrogante dos responsáveis ( estilo do QUERO, POSSO, FAÇO )nunca ter aqui ser abordado.Isso aliado ao facto de nos quererem lançar poeiraaos olhos e inventarem razões para a dita "requalificação". É pena.
Porque isso é tão importante como o aspecto patrimonial que está intrinsecamente ligado ao dos afectos e à memória dos lugares.
Não é apenas uma "mera" questão estética.

E já agora que aqui estou a comentar não posso deixar de perguntar (como aliás já alguem antes de mim o fez): mas por onde andavam quando se estava a fazer a destruição? À espera do resultado?
Pela surpesa patente em alguns comentários parece que sim.

Permitam-me ainda este apontamento em tom pessoalíssimo: houve quem verdadeiramente sofresse e chorasse e tivesse tido esperança até ao fim! Mesmo depois disto:
HOJE NÂO TENHO BOAS NOTÍCIAS

ACABOU JÁ NÂO HÁ JARDINS.

Infelizmente,o que se passou na Avenida e na Praça da Liberdade transcende o mero gosto pessoal.

Cordialmente
Manuela D.L.Ramos- pelos ALIADOS

Anónimo disse...

A Avenida está muito melhor agora.

Assino, Portuense Portista

Carlos Romao disse...

Caro JC
Foi apenas um equívoco.
Saudações

nuno g disse...

nuno g disse...
gostaria de saber outras opiniões mas...

eu já tinha uma má impressão do trabalho o siza v. e o souto m. em determinadas intervenções urbanas (com excepção da rotunda da boavista), mas o contraste entre entre o antes e depois no blogue indicado vem confirmar as minhas piores impressões...

há outros exemplos de desumanização;
_cordoaria/cadeia da relação
_praça dos poveiros
(neste caso embora não seja obra dos mencionados é flagrante o contraste com o jardim de são lázaro mesmo ao lado)
_marginal de leça
_praça em frente à camara da maia
_urbanização da boavista...o muro virado para o metro se fosse revestido a madeira pareceria o "forte apache"...assim perec a "zona verde de bagdad"

pergunto;
_será que esse arquitectos não viagam?

_será que as impressões sobre urbanismo que trazem quando viajam vem tão distorcidas como as que alguns emigrantes vindos frança para fazerem as suas casas

_até quando é que a cidade vai fazer vénias a esses dois mitos da arq portuguesa não questionando o obvio?


aguardo comentários

JN disse...

Não sou do porto mas custa-me ver um local onde muita gente convivia tornar-se num deserto de pedra.
Já me custa ver porem um circulo á volta das árvores ficando as raizes escondidadas, mas o que se fez na avenida dos aliados é um extremo.

Creio que essa avenida, para além dos carros, só voltará a ter vida quando o FCP Boavista ou Portugal ganharem um evento desportivo.

pedro figueiredo disse...

vivi no porto 3 anos, ha' uns 13 anos, e ficou a ser uma das minhas cidades. isto e' muito triste.

Anónimo disse...

Resposta ao caro anónimo sobre espaço: que me interessa o raio de um "pátio" grande para ser usado um par de vezes por ano, quando um jardim com bancos era usado *diariamente*. Só mesmo um badameco de pseudo-arquitecto é que se verga por ser um trabalho do "mestre". Ponham o Siza a fazer casas, que em termos de urbanismo parece o empreiteiro da Brisa. Quem projecto a marginal de Leça da Palmeira também foi ele ? O Siza dá *mau* nome a arquitectos paisagistas. O povo fica com a impressão que qualquer empreiteiro fazia aquilo.

Paulo Ferreira

Serafim disse...

Porque é que o depressivo do Siza não gosta de árvores?

Anónimo disse...

Serafim: porque lhe escondem a obra. Belo post - agit-prop talvez, mas muito bem feita.

Carlos Romao disse...

Caro anonymous,
como pode verificar pelos 162 posts ao longo de 20 meses, aqui não se promove a agitação nem se faz propaganda. Neste caso demonstra-se, isso sim, uma opinião livre, a minha.

Paulo Lousinha disse...

É uma discussão acalorada esta sobre as obras de remodelação da avenida dos Aliados... mas penso que a maioria das pessoas não "viveu" ainda o espaço. Para entender a obra é vital acrescentar-lhe a 4ª dimensão: tempo. Não chega comentar fotografias ou reproduzir opiniões sem passar pela experiência pessoal e intransmissível de "estar lá". Eu também comecei por duvidar da obra antes de a ver terminada. Agora mudei de opinião.

Sou claramente a favor da troca dos canteiros pelo pavimento: conferem versatilidade ao espaço, bem como aumentam o seu valor simbólico e representativo. Depois, os críticos não podem esquecer que o espaço ficou melhor definido, os peões ganharam passeios mais largos e as árvores vão crescer... Luís XIV nunca pode desfrutar do grandioso e opulento jardim que mandou construir no Palácio de Versalhes. A natureza tem destas coisas. Quanto aos bancos, não penso ser o espaço entre faixas de rodagem o mais agradável sítio para "estar". Há ainda a promessa das esplanadas, essas sim, com a protecção da mancha arbórea.

AM disse...

segui o link do blasfémias e não me arrependi
excelente posta, para compreender a intervenção e para quem não vive no porto ou arredores
obrigado
não li todos os comentários, mas para quem defendeu a intervenção, e pediu uns bancos de pedra, aconselho a visita a uma praça de Grândola com um desse banco em "pedra", de acordo com um projecto dos arquitectos Aires Mateus ("entretanto" alterada...) eu nunca lá vi ninguém sentado!

Anónimo disse...

BurnOut:
Bem, pelo menos vamos ter mais espaço para comemorar as vitórias do Porto.

Hã? O quê?

Pois é! Agora comemora-se na Alameda...

Anónimo disse...

Para uma pessoa que está há alguns meses, sem visitar a sua Cidade do Coração, é uma triste descoberta. Não sabia, mas vou ver essa modificação, ao vivo e a cores, no fim do mês. Que triste ficou a minha Terra Natal. Este Rui Rio não sei em q é que estava a pensar...

Anónimo disse...

Não gosto de relva que não se possa pisar, nem de flores decorativas, nem de desenhos em jardins. Acho que a praça ganhou imponência mas perdeu tacto humano. Gosto do espaço criado e acho que, a seu tempo, as árvores criarão uma sombra agradável. Por outro lado, poderiam existir bancos ou uns quaisquer lugares de descanso que chamassem as pessoas ao espaço.
Em conclusão, não acho um erro mas também não acho uma boa obra.

Esteva disse...

Subscrevo inteiramente a sua opinião e a tristeza de tantos dos comentadores deste blogue. Vinha só dizer-lhe que usei uma foto sua sem saber no meu blogue e que vou já remediar isso. Desculpa e continue a blogar assim, bem!

Carlos Romao disse...

Esteva
Use as fotos à vontade. Quando mencionei a apropriação de imagens, devia ter especificado que me referia ao uso das fotografias sem mencionar a origem.

Anónimo disse...

É o espelho da alma do chefe da tasca ao cimo da avenida.

Anónimo disse...

Nunca gramei as coisas do Siza. Admira-me que tenha deixado as árvores.

Esteva disse...

Obrigada, Carlos!
:)

ângela disse...

andava a recolher material fotográfico para dizer/mostrar mais ou menos isto.
OBRIGADA. PARABÉNS.

Unhanegra disse...

Um arquitecto meu vizinho aqui na Suiça, adora,venera as obras de Siza Vieira, nunca ouvi outra pessoa falar de Siza com tamanha reverência.
Porque è que eu neste momento não consigo sentir outra coisa que não seja vergonha, impotência, ao ver estas fotografias???
Prendam os "selvagens" que aos poucos vão destruindo as nossas cidades, os nossos jardins, a nossa costa, com tamanhas aberrações...

Graça Martins disse...

Mas que linda Praça Autista Europeia. O pormenor das "cadeirinhas" amarradas ao empedrado e para anorécticos, é um espanto. O arquitecto Sisa Vieira devia permanecer durante a tarde, num belo dia de sol, numa das ditas cadeiras e esturricar a moleirinha. Porque é isso que vai acontecer numa praça tão árida e desprotegida. Pagamos todos impostos para a imposição destas ideias brilhantes que não são consensuais. A democracia ficou debaixo das pedras.
Parabéns à Cidade Surpreedente do Carlos Romão que acorda todos com a sua energia e estimula 93 comentários sobre o assunto.
10.7.06

Msm disse...

Neste momento acabei de ler todo o blog e parece-me justo terminar onde o comecei, com o comentário de que vim parar a este post em específico enquanto me perguntavam o que achava da nova imagem dos Aliados. Esquivei-me ligeiramente à pergunta uma vez que não vou lá desde que estava ainda em obras, mas verdade é que já em obras observei o curso das coisas de nariz torcido.
Estando eu no curso de arquitectura obviamente que me habituo a uma certa revolta generalizada pela nova geraçao contra o Siza. Pessoalmente considero o Siza não só um bom arquitecto como um arquitecto que depressa tem coisas boas como tem coisas más, mas julgo merecer o nosso respeito pelo papel que desempenhou na arquitectura portuguesa. A diferença é que talvez o Pritzker lhe dê a arrogância de fazer o que lhe apetece e estando nós num país de ignorantes da arquitectura depressa se bate palmas aos arquitectos "de marca" sem pensar duas vezes. As palmas vêm de facto dos que mandam, e de nós cá em baixo vaiar nao sei se serve de nada. E como acabei de presenciar tristemente aquilo que respondi na altura da pergunta sobre o "aparente ar desértico frio e desvitalizado da coisa" confirmou-se perante estas fotografias que ainda dramatizaram mais a minha posição.
Sendo ainda sem dúvida nenhuma uma enamorada pelo Porto comecei a ler o blog "a eito". E depois de ter sorrido tantas vezes com ternura ao que ia vendo, chego de novo aqui e deparo-me com a mais recente ferida na cara do Porto. E sinceramente, de momento, lembrando-me ainda das últimas polémicas que havia em torno de umas intervenções Sizianas nos nuestros hermanos apetece-me mesmo virar-me para o senhor Cigarro Vieira e perguntar-lhe porque razão anda a acizentar praças pela Europa. É por se sentir velho? É por estar com visões megalómanas a pender para o apocalíptico de uma modernidade de máquina e rigidez tecnológica? Senhor Siza Vieira que genuínamente continuo a ter muito respeito por si, por favor dê uma volta a pé pelo Porto e veja se o que fez faz algum sentido fora do seu atelier.

Anónimo disse...

Muito boa obra...as fotografis falam por si.
parabens pela dignificação da cidade, agora mais urbana e cosmopolita.
Ao nivel das melhores da Europa e longe do provincianismo dos quintalitos que persistem por algumas cidades onde o tacanhismo e a vista curta teimam e imperar.
Parabens ao arquitecto que se alheou de todos esses velhos-do-restelo.
Parabens ao fotógrafo que soude, de forma imparcial, demostrar a belesa dos dois lados da questão.
De um lado a obra bem feita e a pujancia de uma cidade em crescimento...do outro as florzinhas, e os bonequitos, e os mal-me-queres.
Bonito.

Msm disse...

não querendo estar a provocar discussão nenhuma acessa, até porque a maior parte dos comentários são concordantes com a minha maneira de ver a situação. mas alguns contrários fizeram-me espécie pela justificação..
"mais Europa"????????
"os canteiros são provincianos"?????
Não sabia que um espaço verde numa praça que tanta importância tem para o conforto do uso da mesma quer no Verão quer no Inverno era considerado pela arquitectura contemporânea meros "quintalitos...tacanhos"
A sério que me entristece e chega a revoltar haver pessoas que com a sua vontade de serem abertos à arquitectura mais moderna engolem os erros da mesma como se fosse algo agradável. É certo que o nosso país peca imenso em falta de cultura arquitectónica, e chegam perto dos arquitectos com as lindas frase "pronto pode ser está diferente, mas pode pôr telha pode?", mas nem por isso vamos por um caminho em que se peque pelo aparecimento de intelectualóides que só porque é o Siza está tudo bem.
Do lado dos comentários que seguem a minha opiniao acima apontada sobre o resultado dos aliados chateia-me haver quem se refira aos "arquitectos que nos roubaram a cor", toda a classe profissional é sempre atacada por haver desgraças arquitectónicas a povoar Portugal como cogumelos. Mas sinceramente repudiar uma tradição uma imagem que o Porto tem em favor da "modernização"? Vamos acabar com centros históricos? Se os quintais e as florzinhas e os bonequitos (termos demasiado perjurativos e ofensivos para a arte paisagista urbana, que sim, também a há)? Vamos acabar com eles? E com Igrejas Barrocas já agora uma vez que não prezam pela simplicidade maravilhosa da casa-máquina ou neste caso cidade-máquina. O espaço "antes" era aprazível, obviamente um projecto ali poderia ser muito bem aplicado e melhorar e modernizar. Os peões ganharam de facto um espaço que me agrada imenso. Mas o resto? Só espero que melhore. Porque o aprazível foi-se.

Carlos Romao disse...

Jvmp,
apaguei o seu comentário porque o considero inadequado a este blogue.

adesenhar disse...

simplesmente chocado com a imagem granitica.´

não tenho palavras para descrever esta absurda alteração paisagística.

:|

Miss Fi@zinha disse...

Nunca residi no Porto! Contudo, sou nascida bem no centro do Porto: Sto Ildefonso!
Desde que nasci aos 21 anos por la estudei... rua da boavista, rua santa catarina e rua d. manuel II...
A "baixa" para mim era um sitio frequente. Lá saia do autocarro de manha bem cedo e lá esperava pelo autocarro para casa! Horas de espera que me deram tempo suficente para conhecer bem este espaço.
Tb todos os sabados de manha (antes da era dos shopings) ia com a minha mãe passear pelo "comercio tradicional"!
Desde que terminaram as obras ainda não me desloquei a "baixa". Mas com toda a sinceridade, dpois de ver estas fotografias não sei se quererei regressar. Julgo preferivel guardar a imagem das pessoas a darem milho aos pombos, dos velhos sentados nos bancos de madeira vermelhos um pouco sujos, e de todas as flores que existem em fotos que eu msma tb tirei por lá...

:'(

Quero a nossa baixa de volta!

marta brito disse...

Tenho imensa pena de termos perdido a nossa Avenida dos Aliados cheia de plantas, pombos e velhinhos sentados nos bancos do jardim.
Tenho saudades da nossa calçada portuguesa (sim porque não é apenas caracteristica de Lisboa)
Em vez disso vejo agora uma Avenida dos Aliados fria, escura, sem bancos, descaractrizada e impessoal.
Porque é que os cidadãos do Porto não são consultados acerca deste tipo de obras que são tão importantes e tão definitvas ?
A cidade é nossa, dos cidadãos e não dos arquitectos e de meia duzia de pessoas que têm o poder de decisão

Invictus Tripeirum disse...

Esta muito impessoal, ainda me lembro de ter assinado a petição que se encontrava por lá quando estava em obras, referindo que iria ser assim o aspecto final.

Se ao menos colocassem a calçada portuguesa não seria tão mau, mas assim. Se ao menos...

J.E.S. disse...

Li inteiramente.
Saí do Porto há mais de 50 anos e ao ver o que Rio e siza fizeram, me revolto contra os portuenses que permitiram que isso acontecesse. Não se pode ser assim tão bem comportados. Há que gritar, berrar e espernear e votar melhor.
Deviam pedir indemnização a esses dois, no mínimo imcompetentes. Isso cheira a mutreta...

Supertripeiro disse...

ESTÁ ESPECTACULAR!!!!
BRAVO SIZA.
ÉS O MAIOR

Anónimo disse...

O NOVO SHOPING "ALIADOS",?
cultura ao kilograma

Voces sabiam...
A Baixa do Porto ira virar museu...
Ja ninguem habita na baixa...
ou sera que ando a ver mal, em vez de olharem para o pavimento ja viram quantos edificios nos aliados estao a ser habitados, ja viram quantos casas abandonadas tem o Porto!
...para que ter bananeiras na praça?!!
assim ta feito o resumo da praça, PEDRA "adentro"! MORREU a baixa do porto mas nao com este projecto, mas sim com todos aqueles que abandonaram o centro que dizem tanto gostar, com a insegurança na cidade, com os assaltos, com o abandono porque passear nao é tarefa facil!!! VIROU MUSEU, é um campo arqueologico a baixa do Porto esta MORTA, so nao tem vida porque ainda bem que nao virou SHOPING, a ignorancia da nossa cidade ao domingo é ver quase todos os portuenses a passear nos lindos canteiros e jardins no interior dos SHOPINGs...
VAO PASSEAR PARA A BAIXA, e se puderem VAO PARA LA HABITAR, a Baixa do Porto é LINDA!

Hammm! é verdade as obras nos aliados so foram feitas porque, era preciso construir o metro para servir a cidade, porque se nao fosse o metro a avenida continuava igual. Mudar é tambem um sinal de vida! Alguem sabe quantas alteraçoes naquela zona foram feitas ao longo da historia da cidade do Porto, sempre para servir melhor a cidade? Nao chorem pelas alteraòoes na praça, sobretudo quando forem de metro para a baixa!

Quem uma coisa quer, alguma ha de perder!

P.A.

redordead disse...

Eu moro na baixa, passeio na baixa, lá nasci e fui criada e nos meus 26 anos de vida amei os Aliados. Por isso perdoa-nos Porto pela loucura, pela falta de visão de alguém que não sabe o que é o coração da baixa. Não é por termos o metro que se matam os jardins. Queriam virar a estátua de D. Pedro, acredito que agora será Garrett quem pede para não presenciar o cinzentismo dos Aliados.

Anónimo disse...

a ágora de atenas, berço da democracia e de muitos outros principios da humanidade, local de discussao e que só por si era uma questão ao mundo não tinha flores roxas nem o verde da relva. Tinha, isso sim, homens, homens que davam vida à mais famosa e "produtiva" praça de todos os tempos. O que falta e cultura, cultura e discussa,
não conversa de crochet. e as arvores que ocuparam o lugar das que la estavam hao de crescer...

Sufragista disse...

gostava de saber quantas das pessoas que tanto criticam o desaparecimento dos canteiros (não jardins!) dos antigos aliados alguma vez se haviam sentado nos seus banquinhos e apreciado as pombinhas a comer milho no passeio... muito sinceramente, mas os portugueses não sabem o que é um jardim, um real espaço verde. Eo os poucos jardins que têm não sabem cuidar deles. Numa praça deste dimensão, o espaço é previligiado para as pessoas e não para um mausoléu de canteiros e pombinhas..

Anónimo disse...

tudo bem acerca de todos estes comentários, pois cada um pode ter uma opinião...mas custe a quem custar e doa a quem doer, o espaço funciona e o siza é dos mais brilhantes artistas do mundo...quem não gostar que coma menos...

Anónimo disse...

Parabéns pelo trabalho comparativo.

De facto, perderam-se umas coisas, ganharam-se outras, como em tudo... embora sim, a 'dream team' da arquitectura portuguesa tivesse, na minha opinião, obrigação de fazer melhor.

Ganhou-se o Metro e com isso uma melhoria indispensável ao nível da mobilidade e qualidade de vida - uma obra ao nível do que melhor se faz a nível mundial. A excessiva proximidade entre as estações dos Aliados e S. Bento é no entanto incompreensível...

Ganhou-se muito espaço para as esplanadas na antiga Praça da Liberdade; isso foi óptimo e os bons resultados estão à vista. Pena a plataforma em frente ao antigo café Imperial (infelizmente transformado em mais um restaurante de comida de plástico sem carácter) não ser também ocupada por esplanadas.

Plantaram-se mais árvores do que as que existiam, o que é essencial para o Porto. Estas substituíram os canteiros de flores, cuja proliferação é pouco sustentável económica e ecologicamente, (no entanto, abrindo uma excepção, creio que essa poderia ser sem dúvida o coração da cidade, enquanto que noutros lugares o que falta à Baixa são espaços verdes em que a relva possa ser realmente fruída de outras maneiras que não para olhar ou levar o cão a passear).

A 'piscina' parece-me simplesmente desinteressante e antiquada... felizmente algumas crianças têm no verão a coragem de lhe dar o único uso possível.
A esplanada à sua volta que beneficia da sombra das árvores é uma excelente proposta e tem sido apropriada com bastante sucesso por parte de locais e turistas, tendo já sido inclusivamente cenário de apropriações mais fora do vulgar como o 1º Banquete na Baixa:

http://www.facebook.com/pages/BAIXA-DO-PORTO-Reabilitacao-Urbana/109581449069960#!/photo.php?fbid=173721445989293&set=a.155659074462197.34900.109581449069960&theater

O tipo de mobiliário urbano escolhido parece-me no entanto demasiado frágil, embora o facto de ser em madeira e permitir flexibilidade de movimentos seja interessante.

A resolução do encontro entre o pavimento e as esculturas pré-existentes choca pela falta de criatividade...

As grandes plataformas vazias permitem, é verdade, uma aglomeração de um número muito superior de pessoas para a celebração de datas importantes na vida da cidade.

A avenida 'ganhou' em monumentalidade, com a beleza dos edifícios a reclamar protagonismo agora que o olhar não é atraído pelas cores vibrantes das flores. Ficou com um ar mais europeu, menos português... menos 'provinciano' talvez... Ficou, decididamente, com um carácter radicalmente diferente. E percebo que, tal como a nossa casa, a nossa cidade pode ser feita e refeita, mas sempre em diálogo entre o técnico e o cliente, neste caso os cidadãos. E que @ arquitect@ deve ter uma sensibilidade para lá da exclusivamente disciplinar, que contemple o lado mais 'humano' da arquitectura, que neste caso talvez não tenha sido devidamente equacionado.

Sara Silva Natária