20 de julho de 2006

Rostos com nome

Uma das razões porque tem havido poucas fotografias de rostos n'A Cidade Surpreendente, deve-se a um conjunto de incertezas pessoais, que vão do pudor ao sentimento de intrusão, na altura de fotografar, e daqui, à legitimidade da exibição pública das imagens.



A solução, encontrada recentemente, tem sido a abordagem directa: um pedido de autorização para fotografar e, na sequência, expor o resultado. Perde-se, por vezes, a espontaneidade do fotografado mas ganha-se a legitimidade, o que não é má troca. Quanto às reacções, têm variado da concordância imediata, a mais comum, à indiferença e ao não rotundo, a resposta menos ouvida.



O meu obrigado ao Rui, um insólito homem-estátua em Santa Catarina, e ao Sr. Jaime, pedinte naquela rua, por me terem deixado fazer algo de que gosto, fotografar pessoas.

22 comentários:

blue kite disse...

a legitimidade ganha não deixa nada a perder! As fotos estão simplesmente ESPECTACULARES!

th disse...

Caras com história...para quem sabe ver. A pose não impediu de vermos o que tu deves ter visto, e é isso que pretendes por certo nos transmitir.
Queremos mais, os velhos são uma fonte inesgotável de conhecimento.
Um beijo, th

Beatriz disse...

Ola, como estás?Tb gosto de fotografar gente, principalmente auquelesw rostos anonimos que fazem a roda da vida girar.Muito giras estas!

van d'Alho disse...

Compreendo o teu dilema.
Sempre fui adepto da "busca do momento exacto", mas não deves fugir ao que o teu "eu" te dita.
Se o abandonares, mais vale tirares fotos "do tipo passe".

noodle boy disse...

Gosto muito da tua visão do Porto, uma cidade com um contraste tão grande entre o belo e o horrível.
Quanto à questão das fotos de pessoas: estando estas na via pública, estão sujeitas a serem fotografadas, apenas a fotografia furtiva é que é condenável. Num espaço público, como a rua, tens tu tanto direito de fotografar como as pessoas de recusar. O meuconselho é que fotografes de modo a que as pessoas te vejam, assim não perdes a espontaneidade, e ofereces a hipótese de recusarem que tires a foto.
Espero que isso te ajude! Não te esqueças que o espaço público concede-te tantos direitos quanto obrigações.
(qualquer dúvida sobre os limites do acto de fotografar, consulta o Código Penal;)!)

DIAFRAGMA disse...

Sensacionais retratos.

Fátima Belém disse...

Fantasticas fotos!

As fotos de paisagens ou "objectos" não humanos têm a sua beleza, mas nada como a beleza de um rosto... E ainda que se perca "a espontaneidade do fotografado" o resultado é sempre este: um mar de leituras em cada rosto, em cada expressão...

Fico à espera de mais ;)

rps disse...

Também lhes agradeço! Um abraço, Carlos!

José Manuel Dias disse...

Histórias com vida!
Parabéns!

augustoM disse...

Fotografar os personagens é uma forma de fotografar a cidade, ela não existe sem eles.
Um abraço. Augusto

Funes, o memorioso disse...

Como tudo o que vai ficando registado neste blog, estes rostos fazem também parte da surpreendente essência do Porto.

Mariana disse...

Já passei por estas mesmas pessoas várias vezes na rua, e o que o frenesim do dia-a-dia sempre me escondeu veio a revelar-se aqui.Olhar assim para estas pessoas a cru e com a frieza da distância é encontrar um pouco da humanidade que nos foge todos os dias.

Pé de Salsa disse...

Costumo "espreitar" e, tal como a cidade, também este blog é surpreendente!

Estas imagens fazem parte da história não só da cidade mas do país.

Fico com pena de não ter pedido autorização para publicar as que tenho vindo a tirar...especialmente a idosos/as.

São tão reais, tão maravilhosas e por vezes tão deprimentes... autenticas naturezas vivas!

Gostei. Parabéns!

Effe disse...

Parabéns, Carlos
I volti sono luoghi, sono vite, sono carte geografiche
(guarda, ad esempio, la copertina dell'ultimo numero di una rivista che ho pubblicato insieme ad altri blogger italiani)
Saluti.
F

M A R I A N E disse...

Lindos rostos autorizados!!!!!!

Rosario Andrade disse...

Bom dia, Carlos!
Curioso...ha uma pessoa que trabalha no mesmo hospital que eu e que poderia bem ser irmao gémeo do Sr. Jaime!... parecidissimo, até os óculos e a figura franzina.
Bjico

@ disse...

as pessoas fazem também as cidades!!!e o Porto tem uma "fauna" muito característica.
muito boas as fotos, como sempre!

Cristina disse...

É muito bom ver esta paixão pelas fotografia traduzida em belas imagens. Parabéns pelo bom trabalho e obrigada por gostar tanto desta cidade.

Extratexto disse...

Homem-estátua, não.

Chama-se Sr. Henrique e recordo-me dele ainda nos anos 1980 a pintar Cristos em giz colorido no chão da esquina da rua do Bonjardim com a Praça D. João I.

Carlos Romao disse...

Caro Nuno Seabra Lopes

Homem-estátua, sim.

Era isso que o Rui - foi o nome que ele me deu quando lho perguntei - fazia em Santa Catarina no dia em que o fotografei.

second thoughts disse...

Peço desculpa pela invasão, mas não pude deixar de comentar. As fotografias estão pura e simplesmente divinais! E gostei imenso do comentário, pois confesso que não me agrada quando sou fotografada sem que haja um pedido de autorização. E a razão deste descontentamento é muito simples: nunca sei o que poderão fazer com a referida fotografia. Infelizmente foram muitos os episódios desagradáveis com montagens que já tive conhecimento. Como tal acho gratificante ver preocupações desta ordem.

Bem hajam as (raras) pessoas com bom senso!

Ana Sofia Rocha disse...

Fantásticas fotografias que nos deixam a pensar na vida que se esconde em cada rosto! Ao mimo conheço-o bem pois percorre a invicta em busca de quem lhe considere o talento, distribuindo um carinho que sempre me toca!
Parabéns pelo blog que tão bem explora esta nossa cidade!