22 de julho de 2010

Dos Clérigos e do Chiado



Sendo pouco dado a comparações entre realidades tão distintas como as cidades do Porto e de Lisboa, não resisto a reproduzir a comparação entre dois locais das duas urbes, estabelecida por Lady Jackson no livro a Formosa Lusitânia, em 1874, aproveitando para referir um blogue excelente, que acompanho há já algum tempo e que recomendo vivamente, o Do Porto e Não Só, donde foi retirada a citação. A autora, cujo livro foi traduzido por Camilo Castelo Branco, faz o elogio do "eixo barroco", composto pelas ruas dos Clérigos e 31 de Janeiro - então chamada de Santo António - deste modo:

Esta parte do Porto pode chamar-se realmente bella, muito mais bella que o Chiado: na verdade, não conheço nada em Lisboa n'este estylo que a possa igualar. Se tomarmos a Praça Nova por um valle como foi antigamente, e as duas ruas que se levantam em frente uma da outra, cada uma com a sua eminência coroada por uma bonita e antiga igreja, teremos assim um quadro muito attractivo que nos encanta pela surpreza”.



Uma observação ao título do livro, apesar de estarmos em 2010. O Porto e o norte de Portugal não integraram o território da Lusitânia, cuja capital ficava na actual Mérida, na Estremadura espanhola, mas sim o da Galécia (formosa ou não), com capital em Bracara Augusta, a actual cidade de Braga. Não somos lusitos, como propagava um hino da ditadura de Salazar, somos galaicos.

4 comentários:

ALSM disse...

Descobri este blog e...apaixonei-me!Pois também amo a cidade do Porto,oferece qualquer coisa de especial que parece ser invisível aos olhos.

Adoro a zona dos Clérigos,31 de Janeiro,Ribeira,Aliados(quando tinha o jardim)Mouzinho da Silveira!...

E é verdade que a Galiza sempre se identificou com o Norte de Portugal(e vice-versa)

Parabéns à A Cidade Surpreendente!

Carlos Romao disse...

Obrigado, ALSM.

Jorge Portojo disse...

Realmente parece que os Luzitos (os que se dirigiam para a Luz, assim me ensinou o velho Camilo Pais) se ficaram por Aveiro, essa sim a terra da Luz. Daí para cima, já tudo era sombrio, que não terras de amorfos.

barcoantigo disse...

Lusito, lusito foi a classe de barco à vela onde comecei a navegar, bonito por sinal e hojje relegado para as memórias, poucas, quase extinto, cabem numa mão os exemplares que ficaram...
Somos Galaicos sim.
abraço e bons ventos