31 dezembro 2013

Camélias de Villar d'Allen

Foram colhidas hoje, pela manhã. São quatro das primeiras camélias que floresceram neste Inverno em Villar d'Allen. Lá para Fevereiro a floração das japoneiras estará no auge, concedendo um encanto especial à Quinta e, ao mesmo tempo, perpetuando a centenária tradição portuense de culto destas belas flores oriundas da Ásia. Aqui, servem de mote para desejar aos visitantes d'A Cidade Surpreendente um Bom Ano Novo.

30 dezembro 2013

A Cidade e o Transporte

Um filme dos anos 60 sobre os Serviços de Transportes Colectivos do Porto.


28 dezembro 2013

Da origem do cimbalino

«Em 1956 a boa fama profissional da ofi­cina de Manuel Ferraz levou a que fos­se escolhida para agente da marca La Cimbali, moderna máquina italiana de ti­rar cafés. Porfírio foi a Itália fazer uma es­pecialização para poder reparar as no­vas máquinas, cuja primeira foi montada no Café Central, em Anadia. Seguiu-se a montagem de máquinas nos cafés Águia d'Ouro, Palladium, Âncora dOuro, Tropi­cal, Brasileira e Confeitaria Lobito (Largo do Padrão) no Porto, e nos cafés Sport e Pátria, em Matosinhos.»

A ler nos Cadernos da Libânia.

13 dezembro 2013

12 dezembro 2013

A Pátria Dentro da Pátria

«Nasci no Porto. A cidade, os seus arredores, as praias próximas, descendo para o Sul, permanecem para mim a pátria dentro da pátria, a Terra materna, o lugar primordial que me funda.
Ali estão as tílias enormes, as manhãs de nevoeiro, as praias saturadas de maresia, os rochedos cobertos de algas e anémonas, as Primaveras botticellianas, os plátanos, a cerejeira, as camélias.
Ali o rio, as casas em cascata, os barcos deslizando rente à rua nas tardes cor de frio do Inverno.
Ali o cais, a Ribeira, os rostos, as vozes, os gritos, os gestos.
Uma beleza funda, grave, rude e rouca. Escadas, arcadas, ruelas abrindo para o labirinto do fundo do mar da cidade. E, aqui e além, um rosto emergindo do fundo do mar da vida.
Porque ali é a cidade onde pela primeira vez encontrei os rostos de silêncio e de paciência cuja interrogação permanece.
Porque ali é o lugar onde para mim começam todos os maravilhamentos e todas as angústias.
Cidade onde sonhei as cidades distantes, cidade que habitei e percorri na ilimitada disponibilidade interior da adolescência.
Descia pelo Campo Alegre, passava a Igreja de Lordelo, seguia entre muros de jardins fechados.
Através das grades de ferro dos portões viam-se rododendros, buxos, cameleiras.
Depois surgia um rio e ao longo do rio eu caminhava sobre os cais de pedra, até à barra, até aos rochedos onde se espraiam as ondas.
Histórias de naufrágios, de barcos perdidos, de navios encalhados. Por isso nas noites de temporal se rezava pelos pescadores. Ouvia-se ao longe o tumulto do mar onde navegavam os pequenos barcos da Aguda tentando chegar à praia. Quando a trovoada estava próxima, a luz apagava-se. Então se acendiam velas e se rezava a Magnífica. [...]
Porque nasci no Porto sei o nome das flores e das árvores e não escapo a um certo bairrismo. Mas escapei ao provincianismo da capital.»

Sophia de Mello Breyner Andresen

11 dezembro 2013

Manoel de Oliveira ...

... hoje, dia em que festejou 105 anos de vida.

22 outubro 2013

Novos ventos para o Porto

O presidente eleito e o presidente cessante, Rui Rio, hoje durante a tomada de posse de Rui Moreira, na Câmara Municipal do Porto.

21 outubro 2013

Um funicular para turistas?

Um pouco das origens do funicular dos Guindais, o seu percurso recente e a visão mercantilista que a Metro do Porto tem dos transportes públicos, estão nesta notícia do Porto24. Ébria com o número de passageiros transportados, a empresa acabou com o Andante azul e passou a cobrar 2,00 euros por viagem no elevador. Os STCP adoptaram o mesmo critério redutor para os nossos velhinhos e encantadores eléctricos.
Fica a pergunta: os transportes públicos são para os habitantes da cidade ou para os turistas, enquanto residentes eventuais? Se a cidade for um local bom para os seus habitantes será, com certeza, acolhedora para os turistas. O contrário, a cidade pensada para os turistas, terá tendência a expulsar, ainda mais, os seus habitantes.

19 outubro 2013

17 outubro 2013

Nostalgia sobre rodas

Manhã de Sábado chuvoso na Praça do Infante. Arrastadeiras, 2CV, bocas-de-sapo, Dyane, Ami, Visa, Mehari, GS e outros, das mais diversas cores e variantes, desfilam calmamente na XII Edição do Passeio de Clássicos Citroën, para gáudio e melancolia de quem, boquiaberto, os viu passar.

09 outubro 2013

O Mercado de Matosinhos

Foi após a construção do Mercado Municipal de Matosinhos que a Câmara do Porto encomendou à empresa ARS - Arquitectos «um edifício que marque a sua época e o seu fim», a ser construído na zona oeste da cidade. Nasceu assim o mercado do Bom Sucesso. Conhecemos o seu triste fim. A classificação de Imóvel de Interesse Público de pouco valeu. Aquilo que o Bom Sucesso tinha de melhor, a luminosa abóboda hiperbólica, foi ofuscado pela iniciativa do presidente da Câmara Municipal do Porto, Rui Rio, ao privatizar o edifício e permitir a construção, no interior do mercado, de um hotel e de uma fundação, a par de um centro comercial. Ficou assim definitivamente (?) desvirtuado aquele exemplar único da arquitectura moderna portuguesa, edificado no início dos anos 50 do século passado.

O Mercado Municipal de Matosinhos, parente do Bom Sucesso, por ter sido projectado pelos mesmos arquitectos e construído na mesma época, teve, porém, melhor sorte, ao ter sido reabilitado em 2009. Em 2012, a Câmara de Matosinhos comemorou os 60 anos daquela estrutura, considerando-a «uma peça arquitectónica fabulosa e única no mundo», por não haver nenhuma com aquela amplitude e tal grandeza. O mercado, como se vê na imagem, mantém as funções para que foi projectado e construído, permitindo o usufruto do seu belo espaço por quem vive nesta região.