
O texto abaixo, que dá sentido às fotografias, pertence à publicação Revoltas Republicanas no Porto, 31 de Janeiro de 1891 – 3 de Fevereiro de 1927, editada pela Galeria Imagolucis em 1997.

(...) «Às 6 horas da manhã, as tropas revoltosas põem-se em movimento. Juntamente com elas, populares, liderados pela banda de Infantaria 10, a tocar A Portuguesa, descem a Rua do Almada e ocupam a Praça D. Pedro.

O movimento parece estar a ter êxito.

Cerca das 7 horas e ½ da manhã, os moradores da Praça de D. Pedro distribuem comidas e bebidas aos soldados, que se dirigem, seguidos por populares, para os Paços do Concelho, onde Santos Cardoso hasteia a bandeira verde e vermelha e Alves da Veiga inicia um discurso concluído pelo actor Verdial. A lista do governo provisório foi apresentada: compunham-na uma série de individualidades portuenses, entre outras, Rodrigues de Freitas, professor, 1º deputado republicano, o banqueiro Licínio Pinto Leite, e o próprio Alves da Veiga.

A República acaba de ser proclamada pelos “irmãos” da Loja Maçónica Grémio Independente, mas cada vez mais se tornava claro o vazio de objectivos e estratégias. A tropa, cerca de 600 homens, começa a estar esfomeada e impaciente. Inicia-se, sob comando dos 3 oficiais, a subida da rua de Santo António (actual 31 de Janeiro).

No adro da Igreja de Santo Ildefonso, a Guarda Municipal, com 100 praças da Guarda Fiscal, Cavalaria 6, entretanto junta aos fieis governamentais, esperava-os ao lado do Teatro de S. João. O tiroteio começa.

Debandada geral dos revoltosos. Pânico entre os civis. Para trás fica o rasto de xailes, sapatos, armas.

Acto de coragem entre outros, o do alferes Malheiro, que se manteve firme em combate com os seus homens durante ½ hora. Em ordem recuou com os seus homens até à Câmara – as tropas da situação dominam-nos pouco depois.
A artilharia, vinda da Serra do Pilar, com duas peças no Largo dos Lóios e em São Bento, faz pontaria à porta dos Paços do Concelho e acaba por derrotar os últimos combatentes.
A revolução acabou antes de ter começado; às 10h30 da manhã tinha terminado; durou 6 horas, ao longo da madrugada. Durante 3 horas, o Porto vivera sob a República.»(...)
5 comentários:
Estimado amigo:
Óptima reportagem a sua. Aqui por Lisboa também dei o meu contributo para as comemorações com um "post" n'o escrevinhador. Abraço cordial.
Muitos parabéns Carlos por este excelente documento histórico que nos deixa...
Um abraço :)
Depreendo que a História se divida entre bons e maus? É uma boa lição ensinarmos às crianças quem devemos matar. No passado, como no Futuro.
Excelente documento histórico do nosso Porto.
Parabéns e um abraço
Uma boa e bela reportagem com o rigor histórico que te é peculiar! Obrigada!
Um abraço.
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