11 de fevereiro de 2011

Melhores dias para o Mercado do Bom Sucesso?

Clique na fotografia e observe, num formato maior, este exemplar único da arquitectura moderna portuguesa. Como é possível pensar em construir, ali dentro, um hotel, escritórios e um centro comercial, destruindo este espaço magnífico? Não existem, no Bom Sucesso, três grandes centros comerciais sem clientes, inúmeros espaços de escritórios para arrendar e três hotéis? O que tem a cidade a ganhar com isto? E o que tem perdido com a agonia lenta do mercado, promovida pacientemente, ao longo de anos, pela Câmara Municipal do Porto? Quanto ganhariam os portuenses se tivessem ali um mercado de frescos vivo e alternativo - como o de Matosinhos - aos grandes circuitos comerciais de distribuição? A densidade populacional da Boavista não o sustentaria? Ou é inferior à de Matosinhos? As respostas a estas perguntas são fáceis, de tão óbvias.


Felizmente, as crises, apesar dos inconvenientes, são depuradoras. Consta que o projecto de construção no interior do mercado deixou de interessar ao promotor. Espera-se que este rumor, aliado à classificação recente do edifício como monumento de interesse público, dissipe a ameaça de destruição deste espaço notável.

No blogue Mercado do Bom Sucesso Vivo, onde está a decorrer uma exposição virtual de fotografias que tem o mercado como tema, poderá ver mais três fotos panorâmicas idênticas à de cima, e outras de Inês d’Orey e de Olívia Silva.

7 comentários:

Anónimo disse...

O Mercado do Bom Sucesso marca, para mim, uma época. Acabada de casar fui viver para a Ciríaco Cardoso ao Pinheiro Manso. Era fácil de lá, de eléctico, ir até à Boavista, ao mercado.
Foi lá que em 1956/7 procurei a melancia para acalmar os meus desejos de grávida...lol
theo

MV disse...

A Câmara do Porto, tem-se comportado como uma autêntica imobiliária-leiloeira no que ao património municipal toca. Vende ao desbarato o que não é dela, mas sim do conjunto de munícipes. Isto é fruto de tacanhez, do não perceber de que massa é feita uma cidade.
O Palácio do Freixo é um exemplo gritante. Depois do Estado ter gasto milhões na recuperação foi oferecido (o preço foi simbólico) a um grupo hoteleiro. Para completar o esbulho do erário municipal a autarquia "emprestou" mobiliário do património da Casa Museu Marta Ortigão Sampaio para os turistas que vão ao Freixo sentarem o rabinho, numa clara falta de respeito para com o legado da sobrinha neta de Ramalho Ortigão à cidade do Porto. Vale tudo.

Fernando Torres disse...

É verdade; por vezes os restauros não restauram nada, e porque servem outros interesses, antes pelo contrário. O cabeçalho do blog (como sempre) está um espanto!

avelino braga disse...

Tenho a ideia de há muitos anos ouvir dizer que o projecto do mercado era de um país nórdico que o ofereceu à Cidade.
Dizia-se também que a sua orientação devia ser outra por causa das diferenças climáticas pois não era conveniente para as verduras.
Será verdade?
Será mentira?
Quem é o autor do projecto?

Pedro C disse...

Mais uma vez se assiste ao desinteresse pelas pessoas que vivem nas cidades.

Os autarcas portugueses cedem aos interesses imobiliários sem terem em conta as necessidades dos moradores das cidades. Só assim se percebe como é possível haver zonas de construção nova no porto, quando todo o centro da cidade definha.

É necessário um projecto de reabilitação urbana que traga de volta as pessoas para o centro do Porto, uma reabilitação a preços justos.
Com o aumento do preço dos combustíveis é necessário trazer de volta as pessoas ao centro.

saboracasa disse...

Já existe um centro comercial mesmo ao lado!!! ..... há tanto espaço para fazer hoteis

Deviam era reabilitar o mercado e atrair mais as pessoas como os turístas

retriever disse...

Wonderfull architectur this market!