
O jornal o Comércio do Porto, em Agosto de 1883, referia que esta não era «uma edificação vulgar, uma estufa como todas as outras». E adiantava: «Recorreu-se à arte, pensou-se muito na parte ornamental, e é este o seu maior mérito. Conhecemos as principais estufas e jardins de Inverno da Europa, em geral umas construções simples, pouco ou nada arquitectónicas, e que, portanto, diferem muito desta. Aqui, o desenhador pegou no lápis e foi descrevendo traços sobre o papel, à medida que a fantasia divagava pelos domínios da arte dos séculos passados. Não se pode dizer que seguisse rigorosamente este ou aquele estilo, mas o conjunto é agradável à vista.» (…) «Os rendilhados da cobertura são todos de ferro e de uma leveza tão extraordinária, que mais parecem recortes feitos em papel transparente. O corpo principal é sustentado por quatro arcos, nos quais se observa o mesmo estilo da parte exterior, que recorda muito o gótico. Nesta edificação é tudo harmonioso e bem proporcionado. Tem 24 metros de frente, 12 de altura no centro e 12 de fundo. Quando estiver povoada de plantas, deve produzir efeito surpreendente. Daqui se vê que esta estufa é uma das maiores que existem em Portugal e a primeira entre todas quantas possuem os amadores portugueses.»


9 comentários:
Uma maravilha, Carlos Romão !
Mesmo no estado em que se encontra ( perfeitamente recuperável ) é uma obra de arte !
Não conhecia, nem tão pouco ouvira falar.
Muito obrigado por esta sua postagem.
Grande abraço.
Acho que numa 1ª fase se podia recuperar a estufa por muito menos dinheiro e DEPOIS, sim, tratar do jardim.
Talvez, João Menéres, mas mesmo assim 250 000 euros deve ser muito dinheiro para a Câmara de Gaia, que tem uma dívida enorme. De qualquer modo a estufa está inserida no jardim, que é privado e está vedado.
Até há dois anos esteve escondida por inúmeras acácias que cresceram à sua volta e no interior, ameaçando-a de queda nos dias de vento. Foi em 2012, aquando da apresentação do projecto de reabilitação, que foi feita a limpeza, mas a vegetação rasteira está de novo a tomar conta do edifício.
Grande abraço.
uau!
Haverá alguém que fará por muito menos...
Aconselho-o a visitar a antiga casa do pintor Olaio e o antigo hotel Mirassol, ambos em Miramar, perto do apeadeiro. Só não sei se é melhor aparecerem aqui no Cidade Surpreendente ou no Cidade Deprimente. Ambos os edifícios são magníficos, mas estão em ruínas.
Carlos, que maravilha!
Quantas coisas desconheço da nossa terra!
Aqui, um excelente ponto de encontro com a cultura, o que muito te agradeço, pela divulgação, e ademais tão exaustiva.
Oxalá se chegue a uma via de encontro para essa recuperação.
Há que tomar medidas, seria uma grande perda.
Não conheço a casa do pintor Olaio mas conheci e sei do actual estado de degradação do Hotel Mirassol. Seguramente o seu lugar seria n'A Cidade Deprimente.
Um abraço, Duarte, e obrigado pelo comentário.
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