28 junho 2012

Euro 2012 nos Aliados

Portugal-Espanha. A euforia, a apreensão e o desânimo.

26 junho 2012

Querem espoliar o Norte das suas relíquias ferroviárias

A mais antiga locomotiva existente na Península Ibérica, conhecida entre os ferroviários pelo nome carinhoso de «Andorinha», está em vias de ser deslocada da região onde trabalhou mais de cem anos, para o sul. O alerta é de um grupo de ferroviários aposentados, que se opõem a esta decisão numa carta-aberta intitulada «Querem espoliar o Norte das suas relíquias ferroviárias».
Os signatários afirmam que esta locomotiva e outro património que poderá abandonar Nine, em Famalicão, deverá permanecer no Minho «exatamente como os quadros de Grão Vasco devem continuar na Igreja de Tarouca ou no Museu Grão Vasco de Viseu, bem como os Painéis de S. Vicente, de Nuno Gonçalves, em Lisboa», argumentando que se trata de uma «mais-valia imprescindível para impulsionar a economia local e regional, no âmbito do turismo, ao diversificar a oferta cultural».
Leia a carta-aberta e veja a «Andorinha» e o belo edifício da cocheira de locomotivas a vapor de Nine, no blogue aqui ao lado, A Cidade Deprimente.

21 junho 2012

A beleza discreta dos metrosíderos em flor

São árvores? Não! São arbustos centenários que o tempo agigantou com uma imensidão de altura e uma copa enorme e densa impossível de medir.
In Dias com Árvores

Os metrosíderos são uma espécie originária da Nova Zelândia. Os das imagens fazem parte de dois conjuntos que totalizam oitenta e oito exemplares existentes na Avenida de Montevideu, classificados como de interesse público desde 2005, por proposta dos autores do blogue Dias com Árvores, elaborada no âmbito da Associação Campo Aberto. Veja aqui.

25 maio 2012

A ouvir

Outra maneira de sentir o Porto

Porto Sentido, a bela declaração de amor ao Porto, de Carlos Tê, popularizada em 1986 por Rui Veloso, aqui recreada por Carlos do Carmo e Bernardo Sassetti.

15 maio 2012

A ver

O Pintor e a Cidade (1956)

O Pintor e a Cidade é uma belíssima deambulação pelo Porto dos anos 50 saída do imaginário de dois artistas singulares, o pintor António Cruz e o realizador Manoel de Oliveira que afirmou ser esta narrativa um filme de êxtases. E é-o, de facto, quando o comboio cruza o espaço sobre a Ponte Maria Pia, num desafio às leis naturais quase impossível de vencer, ou naquele olhar ascendente pela fachada da Igreja do Carmo que acaba por se fundir no céu com o vôo das pombas. É-o ainda em tantos outros momentos em que nos sentimos arrebatados pela simbiose perfeita entre a pintura de António Cruz e a realidade captada por Manoel de Oliveira.

Verifique-se a modéstia – tantas vezes inerente à genialidade – com que o realizador abordou este filme, numa entrevista a Leon Cakoff, publicada em Manoel de Oliveira, pela editora Cosac Naify, em São Paulo, em 2005, quarenta e nove anos depois de ter rodado O Pintor e a Cidade:

O Pintor e a Cidade é o meu primeiro filme em cores e também o primeiro filme português em cores, revelado nos laboratórios da Tobis Portuguesa. É, ainda, o primeiro filme onde faço tudo: produção, direção, fotografia. Mais tarde arranjei um auxiliar para fazer um som póstumo. E esse filme hoje caracteriza-se pela banda sonora, que não tem uma qualidade de som extraordinária, mas é muito apreciada. Depois de Vale Abraão, a cinemateca de Paris, já nem sei a que título, passou O Pintor e a Cidade e lá ficaram encantados com a banda sonora e com a cor da fotografia, em especial com os vermelhos. Enfim, uma curiosidade como outra qualquer, é o primeiro filme que fiz sobre o Porto, mostrando as partes mais centrais e as ruas mais típicas da cidade. Fi-lo por amor à cidade e por ser mais fácil filmar no Porto, onde vivo. Como se tratava de um filme a cores, levei comigo o pintor António Cruz, um aquarelista muito particular, que tinha muitas aquarelas sobre a cidade, e que eu admirava. E assim se deu ao filme o nome O Pintor e a Cidade, como se dera o nome a Portugal, que deriva de Porto-Cal. É um documentário onde eu me ensaio como operador (camera men). Quanto ao mais, já tinha praticado tal coisa em filmes anteriores.

17 abril 2012

16 abril 2012

O Porto de Domingos Pinho

Domingos Pinho, nascido no Porto em 1937, tem uma obra extensíssima que está patente em vinte e sete vídeos disponíveis no Youtube. Deles destaco um, do período da juventude do pintor, onde se expõem óleos, guaches, desenhos e aguarelas que nos mostram a região do Porto entre 1955 e 1959.
Domingos Pinho, que foi professor da Escola Superior de Belas Artes do Porto durante 35 anos e co-fundador da Cooperativa Árvore, está representado nas colecções do Museu Nacional de Soares dos Reis, do Museu Amadeo de Souza-Cardozo, do Museu Nacional de Arte Contemporânea, no Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian e noutros museus e colecções particulares no país e no estrangeiro.

11 abril 2012

Bairro do Livros

Comprar livros com desconto de vinte por cento, todos os segundos sábados de cada mês em livrarias da baixa, vai ser possível no Bairro dos Livros. A iniciativa, que nasceu de uma parceria entre alguns livreiros e a Culturprint, tem já onze livrarias aderentes mas tenderá a integrar as cerca de trinta livrarias que existem no espaço “geográfico e emocional”, segundo a organização, que vai da Rua da Fábrica à Praça de Carlos Alberto. A intenção é promover o livro e a leitura e dinamizar a baixa do Porto. A festa do livro, é o que se pretende que seja, à semelhança do que acontece com as galerias de arte em Miguel Bombarda, começa no próximo Sábado, no Palacete dos Viscondes de Balsemão com intervenções, entre outros, de Antero Braga, da Lello & Irmão, e Germano Silva, e uma performance de violoncelo. Durante a tarde haverá flashes poéticos nas livrarias, à noite cinema, no Cineclube do Porto, e mais poesia e música na livraria Biblioteca Musical.
Clique na imagem para aceder ao programa do Bairro dos Livros.

09 abril 2012

Loa ao Porto


Que impulso de dizer-te pátria, Porto:
O corpo amuralhado de granito,
Cabelo d'água, à névoa, ao vento, exposto,
Face esculpida em grito.

Braços de ferro, arqueados, desmedidos,
Sobre o fluir dos barcos e do barro.
E um rumor antigo
Na voz das tuas ruas e mercados.

Vestes de escuro e enfeitas-te de luzes
Antes do Sol perder seu oiro pálido.
E das torres com sinos e com cruzes
Acenas ao mar largo.

Bulícios de cafés (há mais de mil)
Entornam-te nas veias graça e fogo.
E o lírico torpor dos teus jardins
Suspiros e repouso.

Que impulso de dizer-te pátria, Porto:
Coração, não de Pedro, mas de pedra
Com sangue fértil, vinho generoso
A gerar alma e terra.

António Manuel Couto Viana

05 abril 2012

Na cidade das camélias...

... as flores que gostam do frio estão de regresso à terra para alegrarem os nossos dias no próximo Inverno.


A ler no Porto24:
«A cidade do Porto foi o primeiro sítio a ter camélias em Portugal, segundo refere Marques Loureiro, pai da horticultura portuguesa no século 19, no Jornal de Horticultura Prática, onde se pode ler que as primeiras camélias importadas viajaram para o Porto entre 1808 e 1810».
«"O perfume delas é, talvez, a cor”, escreveu o poeta Pedro Homem de Mello a propósito das camélias que existem no Porto, plantas também conhecidas por “japoneiras”, pela associação aos Descobrimentos Portugueses e ao Japão».

03 abril 2012

Jorge Ricardo Pinto

Conheci Jorge Ricardo Pinto como animador de um dos primeiros blogues que tiveram o Porto como tema, o excelente Avenida dos Aliados, cuja ligação mantenho aqui ao lado, por melancolia, desde o início d'A Cidade Surpreendente. Apesar do Avenida ter durado pouco, um curto período entre 2004 e 2005, a devoção do Jorge pelos temas portuenses manifestou-se de novo publicamente, passados quatro anos, com a publicação da sua tese de mestrado O Porto Oriental no Final do Século XIX , pela Afrontamento. Agora, chega-me a notícia duma exposição organizada pelo Jorge Ricardo Pinto no local onde é professor, o Instituto Superior de Ciências Empresariais e do Turismo, sobre a história de um edifício notável, onde funciona aquela instituição, no 285 da Rua de Cedofeita, aquele onde esteve o Salão Silva Porto, local dedicado às artes plásticas no Porto dos anos 30, e onde, muitos se lembrarão, existiu uma secção do então liceu das meninas de bata azul, o Carolina Michaëlis. A ler no Porto 24.

02 abril 2012

A Rua da Assunção...

... vista da Torre dos Clérigos.


29 março 2012

Um percurso com entrevista

Acedendo a um simpático convite, percorri o Bairro da Sé com Júlia Rocha, jornalista do Jornalismo Porto Net, o jornal digital do Curso de Ciências da Comunicação da Universidade do Porto. O resultado, uma fotogaleria, com imagens captadas pela jornalista, e a conversa que tivemos, está aqui e aqui.

28 março 2012

Valeu a pena


A notícia é de ontem, mas a eleição do Porto como Melhor Destino Europeu de 2012, pela European Consumers Choice, a organização não lucrativa de consumidores com sede em Bruxelas, perdurará durante um ano e trará, seguramente, mais-valias para a cidade e para esta região marcada por um rio fabuloso, que muitas outras cidades europeias não desdenhariam, uma costa atlântica notável e pelas montanhas do interior aqui tão perto. O Porto, mas também Gaia, Matosinhos, a Maia e Gondomar estão de parabéns. Os apelos que correram pela rede para votar nesta eleição, em que estiveram dez cidades europeias, surtiram efeito. Valeu a pena!

16 março 2012

O Porto visto do alto - III

Vista do cimo das torres da Igreja da Lapa a cidade revela-se diferente das imagens anteriores. Aparte o quartel, que já foi general, aqui não há lugar para grandes construções, para os grandes blocos residenciais, mas sim para pequenos edifícios de grandes empenas cegas, com alguns metros de frente e fundos extensos – que outrora foram quintais e jardins - nascidos das matrizes oitocentistas, de que persistem alguns exemplares, decadentes, com belas fachadas em que predominam o granito e o ferro forjado. O cemitério, enquanto cidade dos mortos, obedece à mesma regra de aproveitamento do espaço dos vivos. Construído em socalcos no monte da Lapa, num sobe e desce de patamares, aparece embutido no casario. No horizonte, para sul, perfila-se a outra parte da mesma mancha urbana, Gaia. Para sudoeste observamos a Boavista e o Cabedelo; a norte o Marquês e os condomínios de Damião de Góis.
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