24 de dezembro de 2006

Um Pai Natal andaluz



Para o estereótipo ser perfeito faltam-lhe as vestes vermelhas. E ser menos comunicativo também, porque o velhote nórdico apenas solta uns monossílabos ininteligíveis. Gino Barba Iglesia, pelo contrário, é um homem concreto, simpático e conversador, que ri das amarguras da vida. Artista plástico itinerante, retratista de rua por estes dias a residir no Porto, acedeu amavelmente partilhar o desejo de Boas Festas aos visitantes que comigo fazem A Cidade Surpreendente.

23 de dezembro de 2006

Longa vida à Livraria Fernando Machado

Há dias, quando cultivava o meu vício de passear de máquina fotográfica, desta vez na tentativa de conseguir uma fotografia das pobres iluminações natalícias da Baixa, tive uma agradável surpresa. A Livraria Fernando Machado, apareceu-me, no meio da noite, reluzente, como nova, bem destacada da escuridão por uma luz esplêndida.



Lembrei-me então da notícia de O Tripeiro, na edição deste mês, sobre a Fernando Machado, anunciando que a livraria estava de regresso aos Clérigos, mais bonita e mais funcional, portas abertas a todos, com música em fundo que convida à permanência, disposta a retomar o seu lugar na cultura portuense.
O que vale, ainda segundo O Tripeiro, é que as livrarias, ao contrário dos homens morrem mas podem ressuscitar.
Longa vida, então, à Livraria Fernando Machado!

17 de dezembro de 2006

Um livro com alma

«Pode uma cidade ter alma?», interrogam-se os autores do livro recém-chegado aos escaparates. E dão-nos uma das muitas respostas possíveis. A alma de uma cidade é o indizível, a «projecção transcendente de um todo que envolve diferentes componentes como o histórico, o arquitectónico, o científico, a experiência humana através da organização sócio-cultural».
Daqui partem J. Tamagnini Barbosa e Manuel Dias para um percurso pelo Porto de A a Z, ao longo de quase 400 páginas ilustradas com reproduções de gravuras, aguarelas, óleos e excelentes fotografias de Gaspar de Jesus. Da mesa da Adega de Vila Meã ao Aeroporto Francisco Sá Carneiro, do Estádio do Dragão à memória dos cafés do Porto ou da figura de Afonso Pinto de Magalhães, este é um livro feito por profundos conhecedores da cidade, um livro com alma.

O meu nome escreve-se com dois tês.
Leiam pelo menos um.



Casa de Almeida Garrett
Descendo do Jardim da Cordoaria para a Rua das Virtudes, no nº 37 da Rua de Barbosa de Castro (a antiga Rua do Calvário), vai encontrar-se a casa onde nasceu, a 4 de Fevereiro de 1799, um certo João Baptista da Silva Leitão, posteriormente Visconde de Almeida Garrett, que aí viveu até aos cinco anos de idade, altura em que a família se mudou para uma quinta em Vila Nova de Gaia ( de onde, aquando da Segunda Invasão Francesa, se transferiria para os Açores).
De traça setecentista, o imóvel ostenta na fachada, desde 1864, um medalhão oval de gesso, em baixo relevo, homenageando a memória deste cidadão portuense, notável homem de letras, político de inflamada oratória, diplomata e cultor obsessivo da elegância. Uma curiosidade. «O meu nome escreve-se com dois tês. Leiam pelo menos um». Disse-o o próprio, mas, mais de dois séculos passados sobre o seu nascimento, ainda há muito quem, na rádio e na televisão, pronuncie Garré.

in Porto Cidade com Alma

13 de dezembro de 2006

O seu a seu dono

Como tenho andado afastado da rede só agora soube que a iniciativa do Geração Rasca, de eleger os melhores blogues de 2006, brindou A Cidade Surpreendente com um honroso 4º lugar na categoria do Melhor Blogue Temático. Tendo consciência que há melhores blogues do que este, entre o 5º e o 10º lugar, procuro uma justificação no campo dos afectos que aqui têm nascido.
Parabéns ao excelente Foram-se os Anéis, pelo 1º lugar, e a todos os premiados nas outras categorias. Ah! E obrigado à geração rasca e a todos aqueles que votaram n'A Cidade Surpreendente. O troféu, gratificante, fica aí ao cantinho, para mais tarde recordar.