
Até 11 de Agosto. Mais fotos aqui.
Os arquitectos Siza Vieira e Souto de Moura antes do anúncio da participação de arquitectos do norte do país, que incluem nos seus projectos o desenho de objectos e mobiliário que complementam a obra, na Triennale di Milano - Galleria dell'architettura, com a exposição Porto Poetic. A notícia está aqui.

Os escritores signatários querem, assim, manifestar o seu repúdio pela não realização da 83ª edição da Feira do Livro do Porto. Para além de um ataque à vida cultural portuense, a decisão constitui uma afronta à cidadania e aos milhares de visitantes que todos os anos encontravam na Feira do Livro um espaço de convívio, lazer, partilha e cultura. Os signatários exigem ainda dos responsáveis políticos e corporativos a devolução da Feira do Livro à cidade do Porto, apelando à população e a todos os que, pelo silêncio, não querem ser cúmplices deste esbulho e confisco cultural a juntarem vozes e vontades para que a literatura regresse às ruas e praças do Porto. Queremos que os livros, os leitores e os escritores voltem a ser celebrados, como até aqui.
Ainda assim, e porque aquilo que nos move é apenas o irrepetível momento de comunhão que a literatura proporciona, estamos outra vez na Avenida dos Aliados. De várias formas e, sobretudo, com aquela que é a nossa única arma: a palavra.»
Esculpida em 1818 pelo mestre pedreiro João Silva, segundo a ideia do escultor João de Sousa Alão, a figura do guerreiro equipado com uma lança, um escudo e um elmo encimado por um dragão, esteve quase cem anos no alto do antigo edifício dos Paços do Conselho, que foi demolido para abertura da Avenida dos Aliados.
Com o objetivo de eternizar a data em que a Torre dos Clérigos celebra 250 anos, a Casa da Moeda vai emitir, em Junho, uma moeda comemorativa de dois euros com o célebre símbolo da cidade.
A ler em Jornalismo Porto Net.
Eugénio de Andrade morreu às três e trinta da madrugada de treze de Junho de dois mil e cinco. E a casa onde decorreram os seus doze anos finais, e onde se acha sediada a Fundação que leva o nome do poeta, ali está, enfrentando as intempéries, melancolicamente visíveis nos seus efeitos, de um Atlântico que lhe fica defronte, e que não raro constituía motivo de maravilha do querido autor de Mar de Setembro. Mais do que um lugar de habitação, ou até mesmo do que uma estância da memória, o prédio do Passeio Alegre na Foz do Douro fixa o fiel da balança do equilíbrio de um homem com a cidade que por comprida fase o teve como seu rosto culturalmente mais apresentável.
Não frequentei a última residência de Eugénio de Andrade com assiduidade igual à que me atraía ao remoto apartamento, bem menos museológico, da Rua do Duque de Palmela. Só nas proximidades da morte do seu morador, e quando se tinham afastado muitos daqueles que costumavam citá-lo como «o Eugénio» com idêntico despacho ao que é de tom na referência a um qualquer futebolista, é que o procuraria eu mais vezes no seu espaço litoral.
A perfeita residência na terra de Eugénio de Andrade, perdoem-me os que antepõem as razões pragmáticas ao florescimento do lirismo, haverá de ser para todo o sempre aquele apartamento em Duque de Palmela, uma sala e uma alcova, unidas por um corredor. Por aí é que caminharia a Mãe, afagando a lombada dos livros alinhadíssimos, por aí é que vaguearia o Pai, íncubo capaz de terríveis malfeitorias. Não é que fosse a localização ideal para qualquer poeta esse piso porventura construído na década de cinquenta, entalado entre esgrouviados jardins do chamado Bairro Ocidental [sic] do Porto, dando para uma artéria, essa sim, com arvoredo de alguma dignidade. Mas abençoava-o a escassez que postulamos como inseparável dos grandes da poesia, e deste com a acrescida razão de se tratar de um criador de simpatias helénicas, timbradas pela vocação do gozo dos quatro elementos heraclitianos, afinal mais característica do sul do quedo norte da Europa.
A casa retinha de resto algo de tenda de nómada, isto sem perder quanto lhe assistia de útero matricial. Os quadros substituíam-se nas paredes, tal e qual como os tapetes dos beduínos, ali ficava a manta de agasalhar os joelhos, conforme ao que fora prática de Camilo, de Raul Brandão e de Aquilino, adoptada por David, por Agustina e pelo autor de Obscuro Domínio. Rimbaud possuía lugar cativo no quarto de dormir do nosso homem, presente através de uma reprodução do célebre retrato, esboçado por Fantin-La-tour. Subiam-se as modestíssimas escadas, e o poeta, acabado de regressar daquela peregrinação à Grécia, conformadora do dever literário de uma inteira geração, oferecia-nos um cálice de ouzo, e punha-se a explicar-nos o horror em que desde a infância trazia qualquer espécie de bebida alcoólica. Evocava uma fantástica cena à la Bruegel, o ribaldo da Póvoa da Atalaia que emborcara muito mais do que o bastante, as «madres terribles» da aldeia, acorrendo munidas de imensas colheres de pau, enfiando-as pela goela abaixo do beberrão, e até o fazerem vomitar o vinho ingerido. Não nos dando tempo a que recuperássemos de semelhante espectáculo, abria as pastas que continham os trabalhos dos amigos pintores, atribuía a cada um deles um comentário atento, privilegiando os que fossem aquilo que caracterizava como «um quase nada», e terminava por nos brindar com o que mais nos agradara, não implicando em tal gesto o menor alarde de munificência.
Já muito se falou da mesa portátil onde Eugénio de Andrade escrevia, e do pitoresco lenço de chintze com que costumava cobri-la. Mas a nossa lembrança mais querida do espaçozinho de Duque de Palmela povoa-se de dois bichos, muito diversos na espécie, ambos porém significativos ex-libris das mãos que os acariciaram. O primeiro é aquele burrico de barro, de um banalíssimo oleiro de Barcelos, que se implantava sobre a estante da entrada do apartamento. O outro é o elefantezinho de Delft que tínhamos numa prateleira da nossa própria estante, e pelo qual o poeta de tal forma se apaixonaria que lho enviámos de presente alguns dias mais tarde, sentindo-nos quase iguais, já o adivinharam, àquele rei descomandado, e um pouco novo-rico, que mandou uma embaixada de espalhafato ao pontífice de uma geração.
Relâmpago, Outubro de 2004

Em 1951, a propósito da inauguração do Palácio Atlântico, o escultor Barata Feyo (1899-1990), então professor na Escola Superior de Belas-Artes do Porto, enumerou, num pequeno escrito, aquilo que considerava ser o património artístico da Praça D. João I. Referia, então, a decoração do Teatro Rivoli, do escultor Henrique Moreira (1890-1979); os baixos-relevos policromados de João Fragoso (1913-2000) no Café Rialto, que deu lugar a um banco; os frescos alusivos às artes, de Dórdio Gomes (1890-1976) e Guilherme Camarinha (1912-1994), no mesmo café; um «desenho de grandes proporções e precário colorido» que encheu uma das paredes do Rialto, de Abel Salazar (1989-1946) e, por fim, a «cerâmica colorida e requintada» com que Jorge Barradas (1894-1971) decorou a entrada e o pórtico do edifício. Não era pouco para uma praça que nem sequer é grande.
As dimensões do Palácio Atlântico impuseram-se de tal modo que acabaram por ditar, em conjunto com a inclinação do terreno, o desenho da parte central da Praça D. João I, com o socalco onde assenta a colunata limitado por dois pedestais - que suportam os corcéis esculpidos mais tarde por João Fragoso - e duas amplas escadarias laterais com dois lanços, formando uma espécie de concha.
Sá da Bandeira teve uma vida longa e bem preenchida. Fidalgo, militar e político viveu num período conturbado do século XIX, prenhe de revoluções, golpes e contra-golpes. A rua que tem o seu nome homenageia este liberal que perdeu o braço direito em combate, durante o Cerco do Porto, no Alto da Bandeira, em Gaia, onde hoje fica a Rua Marquês de Sá da Bandeira e o Largo dos Aviadores.
Curiosamente esta é uma das ruas do Porto que nunca mudou de nome. Recebeu o de Passos Manuel, figura proeminente do início da monarquia constitucional, em Abril de 1877. A primeira parte da rua, entre Sá da Bandeira e Santa Catarina, foi aberta
em terrenos doados à cidade por D. Antónia Ferreira, a Ferreirinha. Mais tarde, a rua foi prolongada até à Praça dos Poveiros. Na imagem destaca-se, emergindo do casario para o céu, a torre do Coliseu, inaugurado em 1941.
Para além da vista do conjunto de alguns edifícios que caracterizam o centro do Porto esta imagem apresenta-nos uma curiosidade que é menos perceptível ao nível do solo: o traçado que a longa rua do Bonjardim tinha antes das demolições dos anos 40, que deram origem à Praça D. João I. A feliz ideia foi dos arquitectos que renovaram aquela praça em 2001, quando o Porto foi Capital Europeia da Cultura. Daqui para cima a rua continua estreita e tortuosa, seguindo a trajectória secular da estrada que ligava o Porto medieval à cidade de Guimarães.