30 de agosto de 2006

Em Santa Catarina

Santa Catarina irá entrar em obras. Já tinha sido anunciado, contudo, hoje, pela manhã, o Janeiro trazia dados mais concretos. Finalmente há prazos e preços. E vontade, também, para levar a cabo uma ideia que já vem de 2001.



Serão repostos, num pequeno trajecto da rua, os carris dos velhinhos eléctricos, possibilitando a ida do Carmo à Batalha descendo os Clérigos e subindo 31 de Janeiro, e o regresso, de novo a descer, por Passos Manuel até aos Aliados, e voltando a subir ao Carmo pela Rua de Ceuta. Um percurso que se adivinha encantador.



Ignoro o que irá acontecer a Santa Catarina, que parte será renovada, e desconheço o projecto. A rua é tão longa que vai da baixa à alta ligando duas praças. É uma rua de bom traço vinda dum tempo em que se fazia bem a cidade. À semelhança do vale do Douro, e do Porto também, está assente num socalco artificial, construído entre a Batalha e Gonçalo Cristóvão. Daí sobe segura até ao Marquês.

Irá seguramente resistir, até por que o pavimento da parte pedonal é desgracioso. O casamento de blocos de betão com calcário e basalto é infeliz. E a iluminação e os inúmeros obstáculos que por lá semearam as sucessivas vereações camarárias também. É como se a rua que veste casaca calçasse chinelos.







Aconteça o que acontecer, aqui ficam algumas imagens deste Verão, em Santa Catarina, para mais tarde recordar.

14 comentários:

Anónimo disse...

Tenho que ficar atenta a pessoas com máquinas fotográficas, quando andar pela Baixa, senão qualquer dia vejo-me aqui. :-D

Ainda me lembro de Sta. Catarina ter trânsito normal a toda a hora. Um trânsito infernal, com autocarros enormes a furar por entre as gentes que raras vezes se limitavam aos passeios... ficou bem melhor, depois da pedonalização. E mesmo os comerciantes não se queixam disso, pois não é por não se poder levar o carro até à porta da loja que os clientes desaparecem.
Gosto muito de passear naquela rua - na parte da Baixa - aos sábados à tarde (que é quando o trabalho mo permite), e ver aquilo esburacado vai-me custar certamente. Só rezo aos deuses que não a acinzentem como foi feito nos Aliados, porque é possível casar granito, calcário e basalto. O cimento, de facto, é que já é mais difícil...

Possa o 'nosso' Carlos continuar a trazer-nos pérolas da minha cidade, com esta qualidde, por muitos e bons anos. Bem-haja.

th disse...

Pelo que me foi dado ver aquando aí estive das últimas vezes, santa catarina pode bem dividir-se em três partes:
Da Batalha até à Capela das Almas, lindos os seus azulejos, daqui até Gonçalo Cristovão e o último troço até ao Marquês.
Passeei, como turista, no 1º troço e arrisquei-me a passar uma noite num Hotel no 3º, onde a prostituição é latente, muito embora não me tenha incomodado de forma alguma.
Vamos lá a ver o que podem fazer por esta parte da cidade.
Um abraço, caro Romão, já tinha saudades, th

Bart Simpson disse...

Ainda bem que regista estas imagens, uma vez que nada ficará como dantes. A única coisa que lamento no meio disto tudo, é que os desgraçados dos logistas da baixa vão, uma vez mais, ficar como sanduiches no meio do entulho...

Anónimo disse...

imagens sempre belas, a que estamos habituados aqui na Cidade Surpreendente

M em Campanhã disse...

se é pelos eléctricos que venham as obras. o caos do trânsito já não devia assustar ninguém, servida como está a zona da rede de metro. boas novas, portanto. obrigada Carlos.

Anónimo disse...

Olá

Há algum tempo que visito este blog, mas é a 1ª vez que comento.

Santa Catarina. Essa rua magnifica que fez parte de mim desde sempre. Eu que cheguei a estudar na "Escola da Rampa Normal", que depois virou ESMAE, e dp sucessivamente, na escola da Fontinha, Augusto Gil e Aurélia de Sousa.
E é tão triste ver que de Gonçalo Cristovão até ao Marquês é uma pobreza.
casas abandonadas, poucos "peões", pouco para ver. Valha-nos os putos do externato para a algazarra.

O teu trabalho é muito bom. Parabéns.
Captas imagens que ficarão para sempre gravadas na eternidade.

PC

henrique disse...

Sempre na crista da onda esta cidade supreendente...esperemos que não façam a mesma asneira que aconteceu na avenida dos aliados...

moi_même disse...

Já que estamos na 'onda' de registar o presente para a posteridade (pois com a actual política do "parte-tudo-e-faz-de-novo" nunca se sabe como a cidade estará amanhã), deixo aqui a sugestão de se registar o actual largo da Trindade, que tudo indica que sofrerá remodelação em breve (de modo a prolongar as obras dos Aliados, e segundo sei, usando da mesma lógica Sizenta - granítica).
Dentro em breve irei lá pessoalmente registar para a minha posteridade aquele que foi palco de muitos momentos felizes da minha infância: era ali o meu recreio, na primária. Foi naquela escola, da Trindade, que eu andei. De modo que me vai doer ver um dia aquele pavimento substituído por cubo de granito, e quiçá, a fonte retirada, para uma eventual réplica do espelho de água que hoje está em frente à Câmara, do outro lado...

O meu muito obrigado ao Carlos por estes registos, e pelo seu amor a esta cidade.

rps disse...

Espero que venham mesmo os eléctricos!

Anónimo disse...

E sabes de quem é o projecto?
Provavelmente não irá destoar muito dos Aliados. Lá se vai a Calçada Portuguesa.
Inês

Lis disse...

A calçada não...não podemos deixar. Chega de cimento.
Ficarei atenta.
Parabéns pelo blog.

Roberto Guedes disse...

Olá, gostei muito do seu blog... estou fazendo o meu também sobre a cidade de Brasília... depois passa lá... achei muito interessante, pq vc trata a cidade de uma maneira diferente... preciso de uma boa camera como a sua e preciso tambem entrar em contato contigo...

Nuno Magalhães disse...

É aterrado o que se passa no Porto com o eléctrico. É o espelho do que se passa com tudo. Havia. Perderam-se milhares de horas de trabalho a desfazer, arrancando trilhos. Agora, aos poucos, andam a colocar trilhos nos locais onde antes os havia. É tudo sem rei nem roque. Sem coerência urbanística. Parece que a política da Câmara (ou da administração interna ou seja lá quem decide estas coisas) é decidida ainda com remelas na cara, do género: hoje vou fazer isto. Ainda que isto seja o exacto oposto do que fez ontem.

Bobu disse...

Quando o exmo. sr. presidente da Câmara, se for, do Porto, só vai restar o nome ...