29 de abril de 2005

A cidade do deserto



Como instalar um cenário de ficção no Cabedelo

1 - Peça um céu carregado de nuvens.
2 - Monte um estradão coberto de pó e areia.
3 - Invoque uma leve brisa de vento oeste (para animar o pó).
4 - Aguarde que o Sol se decida a espreitar.

Como fundo musical, trauteie o refrão de «O Porto aqui tão perto», de Sérgio Godinho:

Ai eu estive quase morto
no deserto
e o Porto
aqui tão perto
...

15 comentários:

Spring disse...

Já sou visita assídua, já está nos meus favoritos... ah, e já linkei numa entrada.

Faz bem para animar as "vistas". ;)

José Alexandre Ramos disse...

descobri este blog há pouco tempo, uma semana, talvez, e estou muito surpreendido pela posivita, uma vez que o Porto é a minha cidade (embora nascido e residente em Gaia). são uma agradável surpresa as fotos aqui publicadas que denotam um dedo bastante artístico como só esta bela cidade o merece. quando agora abri o blog para ver o que de novo havia, fiquei bastante surpreso com o efeito natural desta paisagem no Cabedelo. é extraordinário! parabéns pelo excelente trabalho.

Mendes Ferreira disse...

com um pouco menos de"casas" (mt menos) quase seria perto do Mar Morto onde o deserto começa a chegar....

th disse...

E não é que aqui ainda consigo descobrir aspectos novos da minha velha Terra?...Já agora um desafio...preciso, para o meu blog, uma FOTO do antigo Palácio de Crystal, só consegui uma gravura...desafio-te a arranjar uma...lol,
th (uma tripeira em Lisboa)

guevara disse...

ò Sr. Surpreendente!...

:)

;)

...e as torres da pasteleira!?!?

Lol!

tld disse...

O Porto surge-nos como uma miragem em pleno deserto! Será isto um "surrealismo realista"?....

Anónimo disse...

parabéns, muitos parabéns.
Fil

Mendes Ferreira disse...

encontrei o artigo,vou reescrevê-lo,mas afinal parece-me um pouco extenso demais.depois deixo ao s/critério cortar ou fazer ou não fazer o que o seu bom gosto ditar. e obrigado pela resposta.um abraço.
(O Porto com Paixão)
Rendo-me.morro de amor pelo Porto.assim que desembarco naquele cinza azulado com cabelos de nevoeiro suspensos e engulo o cheiro do Douro sinto-me quase pura.o Porto tem mistérios que a emoção apanha e doura e transforma e eterniza.clássico e íntimo distante e sereno arrogante e terno soberbo e entristecido atira-me um frio matinal e uma foz opulenta.o Porto veste-se diferente.ousado e vanguardista formal e de linhas discretas desce Santa Catarina como se fosse para o jazz e enquanto o café arrefece e o cigarro descai olha displicentemente atento para a miuda integral e leite desnatado.O Majestic vai envelhecendo ao ritmo do cansaço as paredes descascam-se sem pudor e sempre ao velho poeta sucede-se um velho pintor e lá fora a rua apetece.com paixão desvairada mordo os bombons da Cunha doces e intensos especiais para recordar.para amar com a sôfrega paixão de quem deixa atrás uma cama aberta e um barco fundeado no Castelo do Queijo.Estar no Porto é marcar encontro com Chagall e insistir no mistério do azul profundo com um sorriso sépia.é desejar uma asa e ter um sussurro apaixonado.é mergulhar numa arquitectura europeia e tropeçar em Mozart e derrapar num silêncio mordaz de Agustina e perder o pé numa tela sw Resende e ganhar a vóz com Eugénio. o Porto de sombras. o Porto de sol.o Porto a trabalhar ao ritmo dos comboios.as castanhas no banco da Avenida os livros os barcos a Ribeira os putos o vento e a inesquecível música de um violino despenhado.quem chega ao Porto chega sempre a um lugar diferente.será do nevoeiro será da claridade das casas austeras dos jardins adocicados dailuminação das ruas apertadas será da sombra do rio ao fundo dos hoteis cheios de gente, sei lá, deve ser de tanta beleza indizível.inretratavel.mas também pode ser da memória do teu corpo que me persegue como uma onda e me galopa. e depois até a chuva é diferente.escorrega sobre as pedras desliza sobre o parque enche de cheiro inglês o bairro da Boavista amortece suavemente o Passeio Alegre embala-nos o orgulho de uma cidade masculina.o Porto vibra debaixo dos plátanos e das tílias descansa sobre as estátuas sonha na Arca de Água e consome nos Centros comerciais e na tradicional 31 de Janeiro a vaidade urbana.são atmosferas densas de cor e forma de desejos tórridos de contenção elitista de segredos demorados e chistosos. o Porto é um tesouro que se fixa e que apetece sempre mais.outra noite no Aniki-Bobó outra conversa húmida no Luis Armastrondo a mesmíssima música do rio no corredor da Ribeira. o Porto com paixão. no Porto me perdi a meio de uma tarde iluminada pelo geometria dos teus dentes sedento de moliceiros perdido de saudade medieval envolto de mistérios barrocos. no Porto me vejo fértil e bem português rico e altivo mulher de palavra quente e chã corpo musculoso visões antigas de uma verticalidade acintosa. rude e compacto áspero mulher acesa homem voluntarioso. todos os ângulos são possiveis para te amar todas as paisagens no trânsito caótico na margem de Gaia no sobressalto das águas picadas pelo vento do Moledo no sossego dos jardins de´S.Lázaro, no mercado no táxi na Marginal nos lençóis do Meridien. ou seja, no Porto todo o amor é de paixão.secreta e voluptuosa às vezes rubra outras azul escuro mas sempre paixão de luz contra o nevoeiro.Porque o Porto não se esquece aui fica em posfácio o recado possível.Angustia-me. Arruivece-me.inaugura-me outra ponte. Devolve-me o teu momento de Paixão.
(Uf...desculpe ser tão grande.e obrigada.Um abraço de Lisboa)

C.S.A. disse...

Só a MF me faria descobrir este belo blogue e esta paixão por uma cidade vista tão poeticamente. E o texto da MF? Palavras para quê? É MF.
Aqui sabe bem.

Mendes Ferreira disse...

obrigaga CSA. Comove-me.Sempre.

Priscilla@net.sapo.pt disse...

Tive de vir dar-lhe os parabéns pela foto. Está um espectaculo. e deixe que lhe diga que o seu blog é do melhor que já vi.
Parabéns e um abraço da Priscilla

Angela disse...

Um cenário espectacular! A nossa cidade como fundo para um filme de Lynch.

Hugo Torres disse...

A mim, lembra-me a cara do velhinho Animals, dos Pink Floyd. Que ganha pó - não lhe cai, ganha pó, ali na prateleira. Pois há muito que o gira-discos não toca. Há muito que lhe falta uma peça "que já não se faz".

Caínha disse...

Irreconhecivel. Receita muito bem conseguida :9

mãe teresa disse...

Parabéns. As fotos são espectaculares.
Também sou uma amante do Porto.